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A VOZ DO CAMPINARTE

O SHOW DO COMÉRCIO DO CAMPINARTE

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Campinarte Huayrãn Ribeiro / As moedas mágicas do rei

Era uma vez um lugar muito distante. Um lugar que fica muito, mas muito longe mesmo.
Nesse lugar (que faz lembrar um samba enredo de Carnavais do passado), tudo era fantasia, tudo era ilusão, quanta alegria que fascinação. Tudo parecia real, tudo. Tudo parecia felicidade, tudo.
O rei desse lugar era ao mesmo tempo um grande mago que ao invés de uma varinha de condão, para realizar os seus truques ele se utilizava de outro instrumento tão poderoso ou mais, as suas moedas mágicas.
Esse grande rei conseguia tudo o que ele queria com as suas moedas mágicas. Se, por exemplo, o povo começasse a reclamar que estava com fome o rei pegava uma de suas moedas mágicas e logo, logo, todas as emissoras de televisão, jornais, revistas publicavam que o povo estava comendo mais e melhor e o povo enfeitiçado por essa magia mesmo desnutrido, fraco, debilitado parava de reclamar e antes de morrer de fome aclamava: Viva o Rei! Viva o Rei!
O mesmo acontecia na saúde. Bastava o povo começar a reclamar das filas nos hospitais, da falta de médicos e do alto índice de pacientes infectados por isso ou aquilo o rei mais que depressa pegava uma de suas moedas mágicas e os institutos de pesquisas de lá e (como sempre) toda a grande mídia apresentava dados favoráveis a política de saúde do rei e o povo enfeitiçado por essa magia mesmo desnutrido, fraco, infectado, doente, debilitado parava de reclamar e antes de morrer pelos corredores desses mesmos hospitais aclamava: Viva o Rei! Viva o Rei!
Nesse lugar muito distante. Um lugar que fica muito, mas muito longe mesmo. Nesse lugar (que faz lembrar um samba enredo de Carnavais do passado), tudo era fantasia, tudo era ilusão, quanta alegria que fascinação. Tudo parecia real, tudo. Tudo parecia felicidade, tudo.
O rei que também era um grande mago, graças as suas moedas mágicas não teve grandes dificuldades para seduzir e enfeitiçar uma boa parte do segmento religioso que movidos por uma ambição desvairada tornara-se cúmplice desse tirano que em troca exigia apenas que (esses líderes) mantivessem suas ovelhas sob total controle.
E essas ovelhas submissas a esses líderes enfeitiçados pelo grande monarca e suas moedas mágicas mesmo desnutridas, fracas, infectadas, doentes, debilitadas, desinformadas, deseducadas por uma doutrina às avessas que pregava a acomodação e o conformismo conscientemente aclamavam: Viva o Rei! Viva o Rei!
Esse grande monarca conseguiu maravilhas graças as suas moedas mágicas. Agiu da mesma forma na educação, na segurança, transportes, etc.
O seu reino aos olhos do mundo era realmente o país das maravilhas.
Esse país não tinha dívida externa e nem tinha dívida interna, graças às moedas mágicas. Viva o Rei! Viva o Rei!
O povo desse reino encantado acreditava (mesmo) que o seu rei bondoso e generoso emprestava dinheiro ao FMI para ajudar a outras nações que necessitassem de ajuda, graças às moedas mágicas. Viva o Rei! Viva o Rei!
Esse país era soberano e seu território não era entregue a especulação do empresariado, graças às moedas mágicas: Viva o Rei! Viva o Rei!
Esse país não era explorado por Organizações interessadas em internacionalizar suas florestas e sua biodiversidade, graças às moedas mágicas: Viva o Rei! Viva o Rei!
Nesse país maravilhoso todas as estradas (de norte a sul) mais pareciam um tapete, graças às moedas mágicas: Viva o Rei! Viva o Rei!
Tudo parecia real, tudo. Tudo parecia felicidade, tudo.
Era uma vez um lugar muito distante. Um lugar que fica muito, mas muito longe mesmo.
Nesse lugar (que faz lembrar um samba enredo de Carnavais do passado), tudo era fantasia, tudo era ilusão, quanta alegria que fascinação...
Graças a um Rei e suas moedas mágicas – Viva o Rei!