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sábado, 28 de janeiro de 2012

Campinarte Talentos / Artesanato - Pirografia / R. Beiroz

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R. Beiroz, nasceu no Rio Grande do Norte. Mudou-se com a sua família para o Rio de Janeiro quando tinha apenas 4 anos de idade. Hoje (com 54), morador de Nova Campinas há mais de 20 anos, Beiroz é um artesão que domina mais de 30 técnicas de artesanato e dentre elas podemos destacar a pirografia em madeira. Seus trabalhos espalhados mundo afora chegaram até Argentina e o Paraguai.Beiroz pode ser encontrado nos finais de semana na Avenida B (ao lado do DPO) em Nova Campinas, Duque de Caxias.


NOTA - A palavra pirografia é de origem grega e significa “escrita à fogo”. Cogita-se que a pirografia foi a primeira manifestação artística humana, já que a humanidade descobriu o fogo há mais ou menos dez mil anos. É uma forma de arte primitiva, ancestral, nos remete aos antepassados, existindo como um inconsciente...
Ninguém fica indiferente à pirografia. A história
da pirografia é tão antiga, que a palavra antropologia pode ser utilizada. Está diretamente ligada à história do fogo. O fogo fascina a humanidade há milhares de anos. Foi onde a humanidade encontrou o poder para moldar a natureza à sua vontade. O fogo foi utilizado como proteção, na caça, como aquecimento. Quando aprendeu a cozinhar, o homem pré-histórico se tornou gourmet. Além de tudo isso, o homem pré-histórico ainda desenhou nas paredas das cavernas com carvão. (Arte Rupestre)
Este tipo de desenho foi a primeira manifestação artística da humanidade e pode ser chamada de pirografia.
Mas a grande revolução desta arte ocorreu na
Idade dos Metais, quando o ser humano dominou a criação de ferramentas metálicas. E foi só na Idade Média que esta arte floresceu.
Na
Europa, por volta de 1600, nas tabernas, homens colocavam fogo em lareiras e utilizavam uma ferramenta para acomodar as brasas e a lenha. Essa ferramenta aquecia e em brasa era usada para decorar as mesas e paredes de madeira da taberna e por ser chamada de “poker”, deu origem ao termo “poker art” ou “poker work”.
O primeiro trabalho impresso sobre pirografia data de 1751, publicado na
Inglaterra. Atualmente há em museus da Europa, aparelhos utilizados no Século XIX, onde principalmente mulheres aqueciam vários “pokers” com carvão, para realizar trabalhos mais detalhados e finos. Até esta altura, os “pokers” eram de ferro, era necessário envolvê-los em panos ou papéis para segurá-los. Depois de algum tempo, apareceram “pokers” com cabos de madeira, que rapidamente invadiram todos os utensílios que aquecem, como ferros de passar, ferros de soldar, etc...
No final de 1800, o
benzeno era o combustível predominante. Um sistema de pirografia foi criado com uma garrafa e duas mangueiras de borracha. Através do bombeamento de um atomizador (como os utilizados por perfumes) o artista conseguia manter a caneta aquecida mais tempo. Nessa época, também chamada de Era Vitoriana, a pirografia floresceu na Europa e nos Estados Unidos, tornando-se uma arte popular. Alguns dos trabalhos do inventor deste sistema de pirografia ainda podem ser vistos no Smithsonian Institute, em Washington.
Finalmente o advento da
eletricidade veio facilitar muito o trabalho do artista pirogravurador. Os primeiros ferros de soldar elétricos foram utilizados com sucesso para a pirografia. Mas, em 1916, houve a primeira patente para o “Hot Point Pen” (ou caneta de ponta quente). O fio que levava energia para a caneta passava por um reostato, que controlava a intensidade da corrente, dando ao artista a variação de temperatura, tão necessária para os efeitos de luz e sombras... Teve início a pirografia realista. Trabalhos impressionantes foram criados, podendo ser vistos ainda hoje.
A pirografia também fez um enorme sucesso na decoração de
cabaças. Neste quesito, há uma ligação subliminar entre a pirografia e a decoração de objetos, principalmente cabaças... Afinal, essa arte é praticada há milênios.