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Duque de Caxias, na Baixada Fluminense - Google Notícias

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A VOZ DO CAMPINARTE

O SHOW DO COMÉRCIO DO CAMPINARTE

domingo, 7 de maio de 2017

Campinarte Talentos / Viviane Ramos, eu sou poesia e ela me descreve...

MEU RIO

Meu amor é rio
Insensato e arredio,
Afluente de outros tantos...
Dos meus prantos.

Meu amor era previsto,
Datado, marcado e preciso
Pela geologia das tuas montanhas,
Pela resistência do tronco... Tuas façanhas.

Ah! Meu amor é o suspiro,
Infantil, impensado, incontido.
É um abrir-se imprudente
De quem anseia tudo e nada pretende.

Meu amor é delírio
Embriaguez de um sonho vazio
Com a postura de quem se derrama.

Meu amor, 
Será um amor vadio?
Um deleitado momento de cama...

O ardor do que me foi proibido,
O Almejado lábaro inaudito,
Rendição de todo meu eu.

Por tudo que foi dito,
De tudo, meu amor é rio.
Que segue sempre ao abraço teu.

Viviane Ramos
Viviane Ramos Lucas nasceu no dia 9 de março de 1981 em Duque de Caxias, 
Rio de Janeiro e sequer concluiu o ensino médio.
Mãe, dona de casa, mas quando tudo é silêncio brinca de ser poeta.
"Minha Poesia é o grito silencioso da minha alma...
Meus sentimentos explodem em palavras lançadas ao papel,
sem preparação prévia ou estudo meticuloso das rimas
Elas vão surgindo, como lágrimas...
que ao caírem no papel tomam vida e forma de poesia.
Poesia sem classificação, 
pois não consigo classificar meus sentimentos, escrevo e só... 
As vezes sou Haicai, sou prosa ou canção...
As vezes, sou palavras sem nexo lançadas ao vento...
Mas sou e estou em cada uma delas
pois o papel é o espelho que reflete...
o que há em meu coração!"
(Viviane Ramos)


A BELEZA DA MUDANÇA
O tempo já desenha
Em meu rosto sua passagem
Divago na expressão destas linhas
Que formam minha paisagem
Já não tão bela
Mas ainda tão minha
E toda a minha história se revela
Por cada uma destas linhas.
Quem eu fui deixa sua marca na face
Mas ainda não sei quem sou
Mas sei que não me cabe
Querer retornar ao que passou
Passou... não volta mais
Mas há muito em meu porvir
E mesmo que a velhice me seja algoz
A face enrugada ainda pode sorrir.
Foi-se a firmeza dos seios
Perdeu-se a perfeição das curvas
E acaso não devo ter mais desejos?
Ou devo escondê-los nos vincos de minhas rugas?
Por acaso não serei eu
Quando a face estiver enrugada?
Não serei mais eu
Quando a visão estiver turvada?
Sou infinitamente muito mais
Do que os olhos podem ver
Não sou somente a carne
Que há de apodrecer
Ainda assim...
Sou a essência da luz
Que nunca deixei de ser.
(Viviane Ramos)


Eu comecei a escrever quando aos meus 8 anos de idade, meu avô Raimundo foi brutalmente assassinado em uma suposta tentativa de assalto a seu comércio. O assassino, não contente com sua maldade, ainda fez minha avó Neci de refém, durante a fuga ele surpreendido por corajosos rapazes que tentaram impedi-lo, ele então, empunhou a arma na boca de minha indefesa avó e atirou. Ela sobreviveu, mas teve seu maxilar parcialmente destruído; então quando ela voltou para casa, não podia falar e na cabeça da menina de 8 anos era uma questão de solidariedade não falar também, então eu comecei a escrever-lhe cartinhas, e tudo o que eu escrevia era rimado e sonoro, poemas prontos guardados em algum lugar dentro de mim.
E eu seria apenas mais uma menina, como tantas outras no Brasil, que teve sua família destruída pela violência desmedida e cruel, se eu não tivesse descoberto a poesia.
Por isto digo que a Poesia me resgatou do silêncio, da dor.
A Poesia me deu voz e força para prosseguir...
Desde de então, não parei mais de escrever, meus professores se impressionavam com a forma poética com que eu falava do amor e de coisas que eu sequer conhecia.
Um professor da 4ª série chegou a fazer o boneco de um livro, a Menina Poeta que foi roubado em uma exposição no Colégio.
Então eu desisti de publicar e fui acumulando minhas poesias em centenas de cadernos, até que através da internet comecei a compartilhar minhas inspirações com o mundo. Porém ainda não tive a realização de uma publicação impressa devido ao alto custo e o receio de acumular caixas de livros empoeiradas no canto da sala, visto que a maioria das pessoas, sobretudo os jovens de hoje, ”taxam” a Poesia de chata, muitos sem sequer terem lido alguma...
Bem, aos que assim julgam eu convido a conhecer meu mundo de FEMINILIDADES
 http://vivianefeminilidades.blogspot.com