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domingo, 25 de março de 2012

Pesquisa / Campinarte - Qual é o futuro da polícia?

SEM a polícia, é bem provável que reinasse a anarquia. Mas mesmo havendo policiamento, será que vivemos num mundo seguro? 
Na maioria das cidades hoje em dia, bem como em muitas zonas rurais, existe um sentimento geral de insegurança. Podemos esperar que a polícia nos proteja do crime organizado e dos bandidos, ou que torne as ruas seguras, vencendo a guerra contra o crime?
No livro Police for the Future (A Polícia do Futuro), David Bayley faz o seguinte comentário: "A polícia não previne o crime." "Ela pode ser comparada, na verdade, a se colocar um band-aid para combater o câncer. . . . Mesmo que esteja engajada na prevenção do crime, não podemos confiar que ela salve a sociedade da criminalidade." Estudos mostram que as três principais atribuições da polícia — fazer o patrulhamento, atender chamadas de emergência e investigar delitos — não previnem a criminalidade. Por quê?
Aumentar o número de policiais para coibir a criminalidade não é economicamente viável. Mesmo um patrulhamento mais ostensivo não parece intimidar os delinqüentes. Uma ação rápida também não impede que haja crimes. Segundo a polícia, a não ser que consigam chegar ao local do crime em menos de um minuto, provavelmente não conseguirão fazer o flagrante. E os criminosos parecem saber que tal rapidez é rara. Nem a investigação criminal ajuda. Mesmo quando detetives conseguem condenar e prender delinqüentes, isso não parece impedir o crime. Os Estados Unidos são o país que mais prende criminosos, porém a criminalidade ali ainda é muito elevada; ao passo que o Japão, com escassa população carcerária, apresenta um dos índices mais baixos. Até mesmo esquemas como vizinhos em alerta não parecem ter um efeito duradouro, especialmente em áreas de elevada criminalidade. A forte repressão a crimes específicos, como o tráfico de drogas ou roubos, surte um efeito dramático por um tempo, mas quase sempre é de pouca duração.
"O fato de a polícia não conseguir coibir o crime não deve surpreender a pessoas de reflexão", diz o livro Police for the Future. "Entende-se que o fator determinante dos níveis de criminalidade nas comunidades são as condições sociais que estão fora da alçada da polícia e além do controle da justiça criminal."
E se não houvesse polícia?
Como você agiria se não houvesse vigilância policial? Aproveitaria a oportunidade para violar a lei? É impressionante o número de "respeitáveis" cidadãos das classes média e alta que estão dispostos a arriscar sua reputação e futuro pelos duvidosos benefícios do crime de colarinho-branco. Recente reportagem do The New York Times falou de ‘112 indiciados por fraudar companhias de seguro de veículos automotivos. Entre os acusados havia advogados, médicos, quiropráticos, um fisioterapeuta, uma acupunturista e uma funcionária do setor administrativo do Departamento de Polícia’.
Outro caso de fraude em grande escala recentemente chocou os ricos patrocinadores do mundo da arte. Os anteriores administradores das casas de leilão Sotheby’s, em Nova York, e Christie’s, em Londres, foram indiciados por fixar artificialmente os preços. Eles e as respectivas casas de leilão foram condenados a pagar uma multa e indenização no valor de 843 milhões de dólares! Vemos assim que a ganância insaciável afeta todos os níveis sociais.
O que ocorreu no Recife em 1997 (quando houve a greve da polícia) mostra que, em muitos casos, ‘a ocasião faz o criminoso’. As convicções religiosas não influem na sua conduta. Não pensam duas vezes sobre diluir ou abandonar a ética e os princípios de boa moral. Não admira que a polícia, em um grande número de países, esteja travando uma batalha perdida num mundo em que muitos não hesitam em cometer pequenos ou grandes delitos.
Por outro lado, há os que obedecem às leis por respeito à autoridade.
O trabalho da polícia com certeza contribui para melhorar as condições sociais. Quando há uma forte repressão a drogas e à violência nas ruas, as pessoas tendem a zelar pela boa reputação da comunidade. Mas na realidade, reformar a sociedade está além do alcance de qualquer força policial.
Pode imaginar uma sociedade em que as pessoas tenham tanto respeito pela lei a ponto de não precisarem de polícia? Consegue visualizar um mundo em que as pessoas se importam tanto com o próximo que estão sempre dispostas a prestar ajuda mútua, de forma que ninguém precisa chamar a polícia? Talvez ache que isso é uma utopia? Qual a sua opinião???
(Pesquisa / Campinarte - Huayrãn Ribeiro)