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A VOZ DO CAMPINARTE

O SHOW DO COMÉRCIO DO CAMPINARTE

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Professor Luciano da Silva / É Hora de Pensar - Verdade ou mentira, Eis a questão



Contato silvasulu@ig.com.br 
Olá caros leitores, colaboradores e amigos do Campinarte. Eu sou o Profº. Luciano da Silva, formado em História, Pós-Graduado em História Social do Brasil, estudante do curso de Pedagogia da UERJ e Mestrando em Educação, Cultura e Comunicação (FEBF - UERJ ) e estou com vocês na coluna: É Hora de Pensar.


Verdade ou mentira, Eis a questão / Quem não ouviu falar que comer manga e beber leite faz mal. Ou que tomar água em jejum emagrece. Essas argumentações como muitas outras, são conceitos criados pelo homem em função de determinada leitura do mundo presente em determinada época. Na realidade são conceitos elaborados a partir de tudo o que nos rodeiam, concepções, cultura, interesses e o tempo vivido no momento. Por isso, algo que hoje é tido como verdade, amanhã poderá ser uma mentira, e aquilo que ontem foi uma mentira, hoje pode se transformar em verdade. O que se demostra de fato, é que não existe uma lógica exata para o sentido das coisas e sim um  determinante criado por um grupo da sociedade,  que se pode chamar de produção do discurso ideológico, capaz de criar canais eficazes de regular o indivíduo pela negação, silêncio, e censura através de um sistema que se utiliza  do poder, do saber e do prazer. É justamente dentro dessa ótica que se desenvolve a moral, que também não é um elemento estático, muda de acordo com o padrão estabelecido pela sociedade de seu tempo e os interesses latentes, demonstrando que mesmo que certas explicações sejam consistentes, não podem ser consideradas única verdade.

                E dentro dessa perspectiva que entra também temática da sexualidade envolvendo circunstâncias, e fatores diversos como a vida, morte, prazer, política, direitos, poder, entre outros, a fim de, elucidar o conjunto de ações e práticas que são exercidas socialmente em torno do indivíduo fixando regras de conduta, transformando o seu eu e criando certos valores que corresponda critérios organizados, definidos e padronizados. Suas ideias transcendem da Antiguidade aos dias atuais indagando sempre o discurso hipócrita que fundamenta a sociedade, pois o que hoje é interditado e reprimido, pode ser legalizado e absorvido pelo sistema amanhã e o que foi livre e legal ontem  pode ser combatido hoje, mas o combate se da de forma imanente, pois não há sujeito sem noção de poder, por isso, ele é circulante, todos de uma forma ou de outra o executa, compactuando com o estabelecido, tal como a própria sexualidade e a história do sexo. Na Grécia Antiga, o ato sexual era visto como positivo, sagrado e sábio, tanto que  fazia parte dos ritos mantidos entre mestres e discípulos em busca de sabedoria. Havia  um culto ao corpo, todo um cuidado que inclusive influenciava nas práticas sexuais. O sexo era livre da natureza humana e por isso não ser determinado à forma de sua prática, mas existiam regulamentos de cunho moral-cultural ligado ao honroso e ao vergonhoso estabelecido na própria relação.
                Já a partir da Idade Média houve uma canalização dos discursos sobre sexo para o poder e as instituições que o compunha, a igreja principalmente, que limitou o assunto tanto no falar, quanto no praticar. Falar somente em confissão e praticar somente com a benção da igreja. Posteriormente a escola, a família e os médicos passaram a proliferar a ideia do comportamento ideal do sexo sustentado e sustentando o discurso religioso. Na verdade o que se queria não era proibir, eliminar ou diminuir os atos sexuais, mas sim controlar o indivíduo e a população, criando um processo de desqualificação do sexo para depois permitir onde e quando poderia se falar dele, estabelecendo-se um campo de limites, ou seja, um muro nas relações sociais, transformando a situação em uma arma de controle e domínio no contexto do moralmente aceitável e tecnicamente permitido.
                Em princípios do século XVIII e daí por diante, com o avanço dos ideais capitalistas, onde o dinheiro fala mais alto, ocorreu uma descentralização nos discursos sobre o sexo e a sexualidade que antes se restringiam somente a igreja, agora se estendia para outros campos, como a justiça, psiquiatria, medicina, política, entre outros. No entanto, iniciava-se um novo processo, através das ciências e suas pesquisas. Passava-se agora medir o ato sexual, onde ao mesmo tempo em que se pregava a superação do moralismo postado anteriormente, alegando que o sexo não podia ser rotulado, também se buscava uma maneira de administra-lo pelo sistema capitalista, inserindo-o no contexto de utilidade e mantendo informações de sua frequência, pois capital, trabalho e futuro estão ligados às práticas sexuais.
                Dessa forma, para garantir que a necessidade do sexo, seria transformada em um componente economicamente útil e não um problema para o campo demográfico, a manutenção do equilíbrio da lógica sexual capitalista se fazia necessária, e para isso, passou a utilizar profissionais credenciados para discutir a questão. Os pedagogos no campo infantil, psiquiatras que determinariam o que seria pervertido ou normal, além das famílias induzidas a controlar sua prole para afastar o sexo aleatório.
                É então arquitetada uma diversidade de forças correlacionadas entre o prazer e o poder que se completam exercendo o poder, burlando o poder, controlando o prazer e escandalizando o prazer. Tudo de acordo com o interesse.
                O sexo nessa fase ganha uma nova cara, a do casal modelo reprodutor saudável, e tudo que estiver fora desse âmbito vira anormalidade e assim destinado ao âmbito do prostíbulo ou manicômios, ambos com potencial lucrativo, um na venda do corpo ou utensílios ligados ao sexo, o outro na comercialização da medicalização (remédios, injeções, etc.). O que se preza é à força de trabalho que não pode ser desperdiçadas com prazeres ou colocadas em risco com doenças. Desenvolveu-se assim, um dispositivo da sexualidade regido por leis do desejo identificando o sujeito e sua identidade, e o corpo passa a ser um objeto de saber, poder e prazer controlado no ritmo de uma máquina. É só olhar o atleta, por exemplo, em épocas de competições lucrativas são concentrados e limitados suas ações para manter a energia da máquina.
                Assim, tudo que estiver relacionado ao corpo, à sexualidade, a vida e a morte percorrem os crivos do direito e do poder, transcendendo um conjunto de conceitos e concepções de controle interligado aos interesses do grupo que governa ou tem influência na condução do poder. O que se pode entender é que os circuitos do poder pressionam o tempo e todos, vinculando seus interesses aos discursos do direito a vida, englobando o corpo, a alimentação, a saúde, entre outros aspectos sensibilizadores de domínio individual e coletivo, amparado no processo ideológico dominante. Desse modo, fazemos aquilo que afirmam ser a verdade e deixamos de fazer aquilo que alegam ser mentira. Ou passamos a fazer o que era mentira, mas agora alegam ser verdade e vice versa. O tempo todo somos manobrados, e só fazemos aquilo que querem nos permitir a fazer.


 Texto Luciano da Silva
Baseado nos estudos de:


Do Ativismo Virtual para o Protesto Real


Uma Análise das Manifestações no Brasil  

Após passar as fortes ondas de protestos que assolou o Brasil, principalmente as grandes cidades, podemos tecer algumas análises sobre a questão, partindo do princípio que esses fenômenos atuais estão diretamente ligados ao desenvolvimento da comunicação, especialmente a internet, que alterou a partir das chamadas redes sociais a maneira de ser e de se relacionar das pessoas, tornando-as mais soltas e corajosas para se debruçarem na janela do mundo virtual e colocarem para fora todas as suas angústias, intolerâncias, sofrimentos e desejos sem o risco de serem tocadas por forças opressoras.

Em vários países multidões de pessoas já estavam questionando em rede os seus governos, seus Estados e reivindicavam melhores condições, assistência e principalmente direitos e cidadania. E foi por meio da própria rede que chegou em terreno brasileiro essa nova maneira de protestar que se despontou como um território sem fronteiras, sem governos e aparelhos repressores do Estado, possibilitando uma importante alteração no contexto social do mundo atual permitindo que as pessoas possam se manifestarem livremente levando suas ideias e anseios para os novos espaços de ativismo, a democracia em rede. Aqui cada grupo reivindica aquilo que necessita, e que é obrigação do governo lhes assegurar, transporte público, saúde, educação, habitação, segurança publica de respeito, eliminação da corrupção, transparência política, leis iguais para todos, derrubada dos privilégios políticos, além do impeachment de políticos que não são considerados capazes de representar o povo.

O interessante desse fenômeno social, foi que mesmo sem representação oficial demonstrou-se uma ampla capacidade de mobilização  popular, muito  maior  que  os Sindicatos e as Centrais Sindicais que ao verem a explosão do movimento tentaram mobilizar-se para não perderem terreno, mas só conseguiram reunir poucos gatos pingados de pessoas, expondo considerado fracasso para esses órgãos oficiais que passaram temer seu esfacelamento, frente a essa nova era de mobilização.

Outro grande detalhe é que o movimento atual não é composto somente de pobres, mas também, e, principalmente, da classe média universitária que não aceita mais o olhar de descaso e desrespeito oriundo dos grupos do poder que alegam se beneficiar dentro das prerrogativas da lei, pois todos os seus benefícios estão em conformidade com os cargos que ocupam, por não serem cidadãos comuns. Nesse caso, a arrogância, o teor de superioridade, a utilização desenfreada do dinheiro público sem transparência e a não satisfação à sociedade por parte da administração pública é algo legal na concepção destes que governam, no entanto, esquecem que toda ação gera uma reação. O estopim utilizado para tal mobilização foi o aumento das tarifas do transporte coletivo em R$ 0,20 ( vinte centavos ), mas que na verdade não é a única causa de tanta indignação das pessoas, ele foi só o motivo para que muitos fossem para as ruas esboçar  sua raiva já desabafada nas redes sociais que permitiram que essa juventude atual começasse a se politizar inteirando-se dos fatos políticos recentes, principalmente as farras com o dinheiro público e concomitantemente a real falta de respeito e a humilhação imposta à sociedade de forma geral em função da hierarquia social estabelecida no processo cultural. Hospitais-depósitos de doentes, escolas-depósitos de crianças e adolescentes, transportes-latas de “sardinhas”, habitação “gaiolas de pombos” em locais isolados, irregulares e típicos de segregados sociais.

É na alusão desse quadro de insuportáveis e distintas realidades sociais, somadas as informações de falta de dinheiro público para atender às necessidades da população e o contraditório aparecimento do dinheiro público para sustentar as obras superfaturadas em estádios para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo e ainda aos escândalos de gastos glamorosos de políticos e suas famílias em eventos, passeios, helicópteros e festas, fez com que inúmeros grupos da sociedade em discussão pelas redes, visto que a mídia oficial manipula, amputa e esconde informações, fossem para as ruas levando o grito dos invisíveis, demonstrando que a era da carteirada, a era do você sabe com quem está falando, do manda quem pode e obedece quem tem juízo e a era do senhor e do escravo muito arraigada no cerne das relações sociais do Brasil estão realmente no  fim, inclusive a truculência da polícia alicerçada nesse tipo de construção social não se sustenta mais, por isso, o motivo de muitos policiais estarem sofrendo duras críticas e consequências em função de seu comportamento e da manutenção da instituição policial em contextos culturais ultrapassados. Isso, não significa que a sociedade tenha aversão ao policial, ao contrário o que se deseja é um novo policial bem remunerado, respeitado, ciente que o seu papel social é defender os indefesos e que não seja a soma de mais um na multidão. O ser humano policial é também uma vítima, assim como os professores, os médicos, enfermeiros e a maioria da sociedade espremida, abandonada e exclusa socialmente.

E é diante destas questões que se pode verificar certa perda da capacidade do poder público no gerenciamento da sociedade, o descrédito dos representantes políticos diante da população e o surgimento de novos atores sociais a partir de movimentos com forte enfoque indentitários e um amplo leque de temáticas e reivindicações específicas destinadas a resignificar a sociedade civil  construindo um novo Estado.

De acordo com os fatos apresentados em relação às análises centradas nos aspectos dos atuais  movimentos sociais, podemos concluir que a maior relevância desse fenômeno social que deixou em estado de choque tanto as autoridades, como a imprensa oficial que jamais imaginavam que situação como essa pudesse ocorrer no Brasil, visto que o povo brasileiro carrega como rótulo o estigma de acomodado e passivo, foi a percebida fragilidade institucional e política do Estado que no âmbito de sua incapacidade em lidar com a situação, de discutir as questões propostas, utilizou-se do seu aparelho repressor, contemplando a ditadura disfarçada de democracia que existe em nosso território. Hoje a atual conjuntura nos exige um novo olhar para buscar entender o sentido e a dinâmica das manifestações de massa, reações da sociedade civil que transformaram  as redes sociais em um espaço público de discussão, organização de pautas de exigências e participação política, produzindo pressão nos dirigentes políticos e tornando visível o aspecto da identidade individual e coletiva.

Essas observações nos conduzem a percepção de que o processo de politização permeia o contexto dos manifestantes, pois demonstram saberem o que querem. Os discursos posicionados não são vazios, estão direcionados a realidade social. 
Texto: Luciano da Silva

REVOLUÇÃO SCIENCE: MANGUEBEAT
 Na década de 90 na cidade de Recife em Pernambuco se desenvolveu um movimento cultural que ficou conhecido como Man-guebeat. Na época a nova geração recifense se sentia incomodada em várias dimensões, desde a exclusão, fome, miséria, preconceito regional e principalmente imposição cultural, o que explica o movimento apresentar amplas características culturais  e sociais, intera-gindo com o habitat natural.
            A cidade de Recife na realidade foi erguida sobre enormes áreas de mangues, mais latentes os subúrbios, locais de maior con-centração de pessoas carentes que representam os bolsões dos segregados. A vida em Pernambuco, como em todo o Nordeste e princi-palmente em Recife era calamitosa, a ponto de receber o título de a quinta pior cidade do mundo para se viver. Cenas de extrema po-breza, abandono, violência e opressão eram comuns, além da manutenção de uma cultura local, apropriada por determinados grupos sociais e imposta aos demais, de forma a marginalizar qualquer outra expressão de cultura que não estivesse dentro dos padrões estabe-lecidos. E foi dentro desse contexto que vários grupos de músicos se uniram para produzir de forma contestatória expressões musicais com condicionantes regionais misturados a elementos pop globalizado. Era o início da mudança, pois por muito tempo o cenário cultural pernambucano permanecia fechado, todo voltado para dentro, enfatizando somente as raízes nordestinas, num processo estático re-gionalista e amorialista. O primeiro pregando a conservação dos valores tradicionais e o segundo pretendendo produzir o erudito, vindo da apropriação da arte popular redimensionando-a preservando o seu mais puro teor e impondo-a intelectualmente sob a esfera da hie-rarquia, sem qualquer abertura para outras influências, para não ocorrer  nenhuma espécie de colonização cultural. A ideia amorialista de Ariano Suassuna era que qualquer produção vinda das massas e fora do padrão intelectual aceito, seria alienação e destruição da “verdadeira cultura”.  
            Essa imutável criação cultural amarada a concepção Suassuana, provocou enorme inquietude em alguns grupos que sentiam necessidades de novas criações e inclusões no terreno da cultura, a ponto de movimentar a juventude urbana recifense, publicando o primeiro documento manifesto denominado mangue em 1992, como estratégia de divulgação de sua cultura considerada marginal por trazer focos de outros estilos e ritmos, como o pop e o hip hop. A escolha do termo mangue vem da conjuntura geográfica da cidade, como também a representatividade dos mangues na biodiversidade, pois são os mais produtivos ecossistemas do mundo, considerados a ligação básica da cadeia alimentar marinha e a marca da reprodução, riqueza e diversidade.
            A empreitada dos idealizadores do Manguebeat demonstrou que o movimento não era só musical, mas também, político e ideo-lógico transcendendo das críticas as reivindicações por reconhecimento, espaço e identidade, dentro de um contexto estético que se propõe quebrar as hierarquias e os modelos estruturados no sensível e organizado em padrões estabelecidos no visível, mas que o erguer das periferias demonstrava a capacidade da produção individual e coletiva dos grupos marginalizados por variados mecanismos, desde o cinema, a música, a informática, o teatro, enfim tudo que pudesse chamar a atenção para o principio da realidade com o uso de metáforas em via de metamorfose, que defendia o local como existência nacional e internacional, e ao mesmo tempo o negava por im-pedir e limitar o novo se manifestar junto ao global. Eram as novas expressões culturais dos menos favorecidos que recusavam ser in-cluídos na cultura da obstrução, mas que queriam ser incluídos de outra forma fora dela, desmantelando toda a arquitetura anterior con-solidada, não porque se opunha diretamente a ela, mas porque vinham propondo uma nova ordem, outra forma de espinha dorsal sem as escolioses e lordoses dos grupos dominantes.
            A geração mangue se dividia em mangueboys e manguegils influenciados pelo intelectual Fred Zero Quatro (Mundo Livre S/A) e Francisco de Assis França ( o Chico Science – Nação Zumbi) que no desdenhar sócio-musical conseguiram misturar ritmo brasileiro com o pop, utilizando elementos do Nordeste, como o maracatu, o frevo, cavalo marinho, coco, hip hop, rock alternativo, eletrônico, entre outros, dando origem a um novo gênero da música popular brasileira, marcada por protestos de âmbito social e inovações estético-musical enraizando-se para outras formas de expressão cultural, como também muitas bandas de Pernambuco e do Brasil, reascendendo Recife para voltar a ser o centro musical, capaz de atrair gravadoras importantes como a Sony, Virgin e outras.
            Uma das referências para o movimento foi a obra de José de Castro, um médico sanitarista que em 1967 publicou: Homens e Caranguejos, um romance que expõe a pobreza nordestina, enfatizando a população dos mangues de Recife, onde o homem e o caran-guejo representam um só por alimentarem-se concomitantemente num ciclo permanente, pois os homens e os caranguejos alimentam uns aos outros. Na realidade o que se enfatiza é que da mesma forma que o caranguejo atola na lama para se alimentar, o homem atola para pega-lo e comê-lo e por isso são considerados uma só coisa. Toda a população num ciclo de trabalho acaba abraçando a condição de ser um pouco caranguejo, demonstrando a força do mangue em relação a sua fragilidade, imutabilidade e desnutrição.
            Foi justamente esse pensamento de imutabilidade da população e de certo pessimismo existente que Chico Science procurou uma caminhada em direção contrária visando uma saída para o problema, a partir de uma ruptura estética cultural pernambucana, fo-cando o subconsciente das pessoas ao criar símbolos marcantes e metafóricos ao mangue. A antena parabólica ficada na lama é um dos exemplos mais nítido dessa simbologia, como também das intenções dos idealizadores, os caranguejos com cérebros que contagiaram e influenciaram seus seguidores os mangueboys e as manguegils conectando a história do Nordeste a crescente globalização da economia mundial e o avanço tecnológico internacional. A música e as artes de forma geral representava nesse processo a ponte que possibilitava os caranguejos saírem da lama para uma integração social, ou seja, servia como um canal de salvação aos jovens das periferias, justa-mente em função do Estado e o poder público não se fazer presente. Chico enfatizava a tomada de consciência ser algo importante para que os homens não ficassem sempre iguais aos caranguejos, simples crustáceos sem capacidade de criação, assim  pensar, idealizar e procurar um caminho alternativo consciente para se viver era a melhor opção.
            Visivelmente percebe-se que os manguebeats eram pautados nos preceitos de liberdade, justiça social e identidade, levantando as periferias ao utilizar os meios de comunicação de massa articulando as classes menos favorecidas. Chico Science morreu novo em trágico acidente de carro em 2 de fevereiro de 1997 aos 30 anos, mas deixou um legado que continuou a influenciar outras bandas e gerações. Até o circuito dominante incorporou posteriormente os vínculos culturais marginalizado, nas propostas políticas e nos carna-vais, chegando inclusive a institucionalizar a cultura mangue, tanto é, que hoje existe um museu com o memorial de Chico Science em Recife, e as campanhas políticas eleitorais citam a preservação do mangue como pilar para conseguir voto dos eleitores. Isso é a de-monstração que a força do movimento foi tão grande que não se conseguiu apaga-lo do contexto histórico brasileiro. Seus ventos con-tinuam circulando ainda nos dias atuais.               

Texto: Luciano da Silva
Baseado nos estudos de:
LEROUX, Liliane. Do Manguebeat ao Toscolab. Autoficções Midiáticas , Outros Modos de Aprender. Labore, Laboratório de Estudos Contemporâneos, Polêmica, Revista Eletrônica, UERJ, V 10, Jul/Set 2011.
NERCOLINE, Marivaldo José. Manguebeat e a Construção da Cultura em Rede. Revista Ciberlegenda, UFF, RJ, Ano 10, nº 20, 2008.
QUATRO, Fred Zero. Quanto Vale Uma Vida (Manifesto), 1992


TESSER, Paula. Manguebeat: Húmus Cultural e Social, Logos 26: Comunicação e Conflito Social, ano 14, 1º Sem, 2007.
Respeito, onde está?

Certas práticas sociais são nada mais, nada menos que um processo de comoção e solidariedade que na realidade discrimina e aprofunda a desigualdade social, porque gera dependência e coloca em risco a identidade dos indivíduos, pois o grave dilema dos problemas das pessoas sem condições mínimas de sobrevivência continua acontecendo, associado ao capitalismo que é um sistema onde tudo é possível e até normal se estiver dentro da chamada margem aceitável, mesmo que isso seja o sofrimento de alguns. As políticas habitacionais que são criadas para a parcela mais carente da população que não tem condições de custear seu próprio imóvel, nesse caso representam um exemplo, por não possuir uma infraestrutura completa e acabam se revelando como  verdadeiros bolsões de segregados, não cumprindo nenhum papel assistencial.
                Um destaque enfático a essas situações tornam-se visíveis no campo da desinstitucionalização a partir da globalização onde ocorre a substituição das estruturas organizacionais em forma de pirâmide por aquela de circuito em que tudo fica mais rápido, informações; determinações; redução do caráter democrático da assistência e apropriação da forma empresarial pelo estado e estruturado em suas instituições, provocando a diminuição dos serviços e aumento da miséria. O que houve na realidade foi uma alteração do olhar que antes se voltava para a busca da igualdade e que depois notabilizou as diferenças como algo próprio dos fatos sociais, assim a tendência das ações sociais voluntariada serem muito bem vistas pelos governos que não investem praticamente nada, acreditando que as comunidades podem gerar autonomia entre os indivíduos. O que se criou foi um  estado de dependência e ao mesmo tempo um problema nítido, a dificuldade de conciliar dependência econômica, autonomia individual e minimização do risco social, visto que a identidade dos indivíduos é sempre colocada em risco. Essa situação propôs então, dimensionar a maior abertura do Estado, onde o governo financia algumas instituições com fundos para cumprir a assistência ou serviços essenciais em que a base era o equilíbrio na forma do sentimento dos beneficiários, de forma cautelosa, pois se os mesmos se sentissem bem,  poderia ser um perigo para o estado e o mercado, mas se também os mesmos estivessem em depressão, falta de perspectiva ou acomodação, o perigo poderia ser ainda maior, entrando em cena as instituições totais, que tem como função penetrar na essência humana, colher sua lealdade, vida e valor, obtendo sua passividade e não só a dependência, o mesmo idealismo que fundamenta as atuais práticas políticas. O grande projeto agora é manter o mínimo possível de assegurados para reduzir os custos da maquina do Estado e tornar o trabalho fonte de respeito e autoestima, ou seja, o bem estar para o trabalho e não o bem estar para assistência. A perspectiva em nosso país ainda tende para a inserção de alguns no mercado e a recolocação de outros, principalmente os beneficiários e os ex-beneficiários, sejam eles de que benefício for, além de eliminar setores e funcionários, terceirizando os serviços saindo dos regimes fixos para os temporários. O modelo agora é o das corporações, enfatizando produtividade; passividade e bonificação, diminuindo a responsabilidade do governo devolvendo ao indivíduo “o caminhar com suas próprias pernas”, ou seja, o controle do seu próprio destino, um discurso muito bonito. Quanto aos atuais ou futuros dependentes tudo a oferecer ou manter é sempre de péssima qualidade, além da redução dos investimentos na área da saúde, educação e aposentadoria.
                O grande detalhe foi que muitos políticos e técnicos acharam que o assistencialismo barato, garantiria por muito tempo a massa inerte, inofensiva e sem perigo, e quando  resolveram destruir ainda mais o sistema público, acreditavam também que os necessitados eram incapazes de se manifestarem por serem potencialmente impotentes, assim como todos aqueles abandonados totalmente pelo Estado, os invisíveis. O que representou um grande erro, pois se a expectativa era em organizar toda a sociedade e as pessoas, tanto no processo coletivo, como no individual dentro da lógica e demanda do mercado, soldados que agiriam dentro da engrenagem do sistema sem nenhuma resistência, enganaram-se, os viventes no anonimato, os invisíveis tomaram forma e saíram às ruas exigindo posições de respeito e a devolução do seu espaço que foi apropriado pela parcela minoritária da população, a elite.
               
Texto: Luciano da Silva
Baseado nos estudos de : SENNETTI, Richard. Respeito: A Formação do Caráter Em Um Mundo Desigual. Trad. Ryta Vinagre., RJ: Record, 334p, 2004



     
Futilidade

Um tipo de vida escolhida por muitos seres humanos, ela resulta de suas próprias ações para consigo e com os outros.

O Homem fútil é aquele leviano que só pensa em si, e que para alcançar as suas conquistas não ter que passar por cima dos outros causando muitas das vezes danos irreversíveis.
A vida fútil é aquela cheia de marasmos e insignificância, onde os dias representam somente o passar do tempo, sem nada que acrescente para o conhecimento humano.
A política fútil é aquela que apresenta doses reforçadas de marketing sem nenhuma proposta real dos problemas sentidos pela sociedade.
O salário fútil é aquele que o seu valor não supre a terça parte das necessidades básicas de um ser humano, mas é apresentado enganosamente como suficiente.
O relacionamento fútil é aquele que o amor já saiu pela janela, mas o casal permanece juntos, somente para apresentar-se na sociedade em que vive.
O consumo fútil é aquele que se compra só pelo prazer de gastar, e tudo que se adquire é supérfluo sem nenhuma necessidade.
O convívio fútil é aquele egoísta, onde um só pensa em si, e por dentro afirma: “o que é seu é nosso, e o que é meu é meu”.
O hospital fútil é aquele em que os personagens vivem em eterna harmonia de fingimentos, onde um sem recursos e mal assessorado finge que cumpriu o seu papel e o outro finge que foi atendido com sucesso, e ambos calam-se perante a situação.
A escola fútil é aquela que se posta apenas como uma instituição, e não como um recinto onde a função não é institucionalizar  e sim educar e empreender o saber.
A sociedade fútil é aquela que se entrega de corpo e alma aos laços maldosos do audiovisual concesionado, em campanhas e passeatas somente para engordar os bolsos dos tubarões.

Enfim, o mundo é cercado de futilidades, que são sempre confundidos com utilidades, cabe a todos nós saber em qual estamos enquadrados, para refletirmos sobre uma possível mudança que viria melhorar o nosso comportamento, convívio e vida.           


 A Gota
A gota é a água que cai e molha o solo
A gota é o xixi do bebê no colo
A gota é a água que pinga e fura o chão
A gota é salário miserável que não enche a mão
A gota é água que molha a moça
A gota é a chuva que forma a poça
A gota é o pingo brilha no raio da luz
A gota é a neblina que vira cristais e reluz
A gota é a que bate na pedra dura
A gota é a mesma que um dia provoca a fura
A gota é a que mata a sede louca
A gota aquela que faz encharcar a roupa
A gota é o remédio da conta gota
A gota é a vacina que cai na boca
A gota é a água que enche os rios
A gota é o transpirar dos calafrios
A gota é o suor que sai do corpo
A gota é a lágrima que escorre o rosto
A gota é o choro da calamidade
A gota é a água que inunda a cidade
A gota é o sinal do temporal
A gota é o sangue da veia arterial
A gota é a umidade do sereno
A gota é o problema que vai ao extremo
A gota é uma palavra de sentido ambíguo
A gota tirando o Ó e adicionando o A é a namorada do seu amigo
A gota é a saliva que sai da palavra
A gota é a gota... A gota d’água
                                          
Sociedade da Exatidão
Na sociedade dos exatos o que prevalece é a ciência pontual, o mundo é o dos números, a ideia é a da lógica, a harmonia só dos cálculos e o enlace matrimonial só com os símbolos. É a vida matemática. A reta casou-se com o ângulo e convidou a parábola, o triângulo, o polígono e o hexágono. Os padrinhos, a hipotenusa e o cateto ficaram felizes, mas o quadrado um pouco prepotente por ter seus lados iguais sempre achou ser o mais perfeito e o ideal para casar-se com a reta, por quem era apaixonado, e não aceitava o amor dela com o ângulo, pois o via muito variável, nunca com o mesmo grau, parecia estar sempre bêbado, mas também, sabia que não teria nenhuma chance para com ela. Na realidade na sociedade da exatidão e no mundo dos exatos não há possibilidade para a subjetividade, somente a objetividade sobrevive. É a lógica do cientificismo racional e do experimentalismo, tanto é que quando a letra entra em cena é somente um fator e nada mais. (texto : Luciano da Silva) -  Escrito as 09:26 do dia 03/04/2013
 Pagar
Pagar um ritual criado
Pagar um ritual absorvido
Pagar um ritual normatizado
Pagar é a condenação da humanidade
Pagar para nascer
Pagar para comer
Pagar para ler
Pagar para calcular
Pagar para morar
Pagar para passar
Pagar para sorrir
Pagar para sofrer
Pagar para amar
Pagar para falar
Pagar para vestir
Pagar para o prazer
Pagar para viver
Pagar para morrer
Enfim, pagar, pagar...
Pagar para quê?
Pagar para sair da sociedade do ser
Pagar para viver na sociedade do ter
Se você tem, você existe
Se você não tem é um mero sanduíche.

A Ilha
  Na cidade da tralha, nas vias da calha desceu a canalhada, escorrendo pelo tubo, passando pelo esgoto, percorrendo a galeria e chegando ao rio encontrando o lixo, que boiando a levou para o oceano encontrando a arraia (peixe seláquio) que numa carona a transportou para a ilha das canalhas onde já estavam outros canalhas que planejavam a canalhice, a crendice e tudo aquilo que todo mundo já disse e que será exaltado novamente para o controle das mentes do corpo social, que viverá uma eterna palhaçada em medidas sociopáticas proposta pela canalhada.
  Dona Canalha esposa do Sr. Canalhão ficou feliz, pois o programa canalharia social foi projetado pelo seu marido que acabou ganhando o cargo de secretário  na secretaria da canalhice social que oferecerá a todos os excluídos, necessitados e abandonados, o cartão de bobo da corte social, onde sua dor, sua miséria e sofrimento será dado enfoque e exposto em forma de condolências, sensibilidade e até preocupação, mas na verdade o que se busca é a popularidade da canalhada que se aproveita para usufruir de uma boa imagem, através da sangria do cidadão bobo da corte que sofre e que espera mais programas canalharia que permitirá ser o cidadão bobo para exercer a cidadania da bobalhada e ainda concorrer o prêmio bobão do ano. Isso tudo é... Aquilo que você quiser.

Conhecendo Seus Direitos
  INFORMATIVO

             O Sindicato dos Professores da Baixada Fluminense (SINPRO-BAIXADA), sempre procurou estar ao lado de sua categoria defendendo aquilo que é de direito do professor e combatendo injustiças e a exploração, em alguns casos é difícil até de se acreditar que acontece, mas é uma realidade viva. Por isso, pedimos a você professor que atualize seus dados junto ao seu sindicato e se caso ainda não for sindicalizado se sindicalize para que possa estar mais presente e ciente das mudanças que ocorrem em prol da nossa categoria.
           Para que não haja  dúvidas  sobre a lei de férias aprovada na Alerj , e também para que não sejamos confundidos por advogado e representantes de escolas , esclarecemos que a Lei  6.158/2012, sancionada pelo governador  Sérgio Cabral ,  inclui o inciso XI na Lei 4528/2005 , definindo o  mês de janeiro  como férias escolares ( recesso para os alunos) e férias trabalhistas para os professores.
            O professor só pode ser convocado no período de férias escolares para prestar exames ou provas aos alunos. É o que diz o parágrafo  2° . do  art. 322 da CLT , no entanto, não se pode confundir o período do mês de janeiro de férias escolares(recesso para o aluno) que ao mesmo tempo representa férias trabalhistas para o professor artigos 123 ao 153 CLT, além de compor um conjunto de situações que são particulares a categoria e que analisada pelos sindicatos, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e o Governador Sérgio Cabral que sancionou a lei verificou-se que a unificação do calendário escolar (público e privado) no tocante as férias representa o bem comum no que tange a educação, pois garante ao professor o seu verdadeiro descanso, ao aluno sua recomposição e preparação para o próximo ano letivo e as escolas tempo hábil para manutenção, reformas, remodelação e apropriação dos espaços para receber os novos alunos.
                       Sendo assim, em conformidade com a lei em vigor e a ótica do Sinpro-Baixada, no mês de janeiro  nenhum professor poderá ser convocado , por exemplo para reuniões pedagógicas, reuniões de planejamento , cursos de atualização , reciclagem ou atividades afins.


Tombar ou não Tombar, Eis a questão

                Valorizar uma cultura é elucidar a importância que ela tem no engrandecimento e na formação da identidade de um povo. Na verdade é a marca de uma história construída e vivida, no entanto, vários fatores materiais e imateriais se somam para formar essa cultura, não é um ponto específico ou algo individual. Dentro do universo da cultura tudo que apresentar consistência histórica, artística, cultural e provar de certa forma uma função no campo social pode ser elevado ao topo de patrimônio histórico e ser tombado.
                Fato como esse foi visto no Rio de Janeiro, só que com a CACHAÇA, reconhecida como patrimônio histórico, na aprovação de um projeto Lei pela ALERJ (Assembléia Legislativa  do Rio de Janeiro ).
                A grande questão é, tombar algo em nível de patrimônio, este deve apresentar de forma positiva sua relação de importância e consistência na vida do povo, principalmente no processo social.
                Qual a importância social da cachaça? Anestésica? Porque muitos dizem que bebem para esquecer os problemas. Ou climática? Porque se costuma dizer que também se bebe para esquentar quando está frio e para refrescar quando está quente.
                Talvez se espere que esse tombamento vá além das expectativas, possa ser que sua relação esteja na educação, pois há aqueles que afirmam ser o magistério uma cachaça que de tão forte quem entra se embebeda, fica dependente e não consegue mais sair até a aposentadoria.
                Mas com o tombamento tudo vai ser diferente, o que não era valorizado, agora será contemplado, pois se o magistério é uma cachaça e a cachaça é patrimônio, os profissionais da educação serão lembrados pelo menos por quem bebe. Há também nesse processo um possível reconhecimento a cidadania e o combate a discriminação, pois se alguém vir um bêbado caído, irá falar não mexa com ele é patrimônio histórico. Na educação em consequência  o currículo será alterado, tudo partirá da área de interesse, a Geografia enfatizará o programa do Proálcool; a História a economia canavieira; a Matemática com quantos copos se derruba um indivíduo; a Física em que velocidade o indivíduo leva o copo a boca e qual o tempo ele leva para cair; a Química será abolida do currículo, pois levando em conta a dependência  ninguém mais passará de série. Na Pedagogia os especialistas estarão radiantes e irão falar que agora finalmente a interdisciplinaridade está realmente acontecendo, todos focando o mesmo tema na ótica de cada área específica.
                É hora de pensar! Será que em um país como o nosso em que a  saúde  é precária, a educação deficiente, a lei de trânsito cada vez mais rígida, transformar um produto que causa dependência e faz mal a saúde em patrimônio é sensato? É coerente dar ibope a cachaça? Visto que nas escolas ela é combatida, nos hospitais é a maior promotora de cirrose, na imprensa é a porta das crianças e adolescentes para outras drogas e nos alcoólicos anônimos ela é a assombração que destrói famílias e eles tentam retira-la daqueles que não conseguem mais livrar-se dela.
                É fica a todos um momento para reflexão sobre essa questão bem intrigante que nos faz pensar sobre os rumos do nosso país, e como tem mudado a concepção política e dos políticos que dirigem a nossa nação.          

Exacerbado

Exacerbado é o homem que não controla os seus instintos
Exacerbado é viver uma violência que não demarca limites
Exacerbado é saber que a corrupção que toma conta de uma nação
Exacerbado é aquele que se intitula ser Deus
Exacerbado é ver que a prostituição que se legaliza através da mídia
Exacerbado é remissão dos pecados pagos em quantias estipuladas
Exacerbado é ver que a derrubada do analfabetismo se da através da diplomação de analfabetos
Exacerbado é saber que os programas educacionais desenvolvem a educação da responsabilização que ao invés de educar promove a culpabilização dos profissionais que nela trabalham
Exacerbado é ver a prisão de inocentes em casa e a liberdade dos culpados nas ruas
Exacerbado é o aluno que torce para que o professor falte, mas na frente da imprensa dá uma de coitado e contesta quando ele não existe
Exacerbado é querer cabelos lisos quando são crespos, e  crespos quando são lisos
Exacerbado é querer pele escura quando são claras, e claras quando são escuras
Exacerbado é não saber o que quer, e por isso, torna-se a soma de mais um na multidão
Exacerbado é saber que quando se almoça não se janta, e quando se janta não se almoça
Exacerbado é sentir a banalização do certo e a exaltação do errado
Exacerbado é ver procriação desenfreada, irresponsável e excludente
Exacerbado é saber que em um país de cegos quem tem um olho é rei
Exacerbado é viver a exacerbação do mundo
Exacerbado é saber que a bandeira do rico é ordem e progresso e a do pobre é salve-se quem puder
Exacerbado é saber que o ECA apresenta muitos direitos e praticamente nenhum dever
Exacerbado é saber que somos força de paz lá fora e vivemos uma guerra aqui dentro e apesar do lema ser Desenvolvimento, Crescimento e Progresso, o Exacerbado é que faz Sucesso
Exacerbado sou eu que escrevi todas essas palavras no momento de pura exacerbação do meu ser
Exacerbado é você que leu tudo isso, entendeu e ficou exacerbado como eu
Exacerbado somos nós, eu, você e todos que se sentem impotentes ao ver a amplitude da exacerbação da corrupção, da violência, da ineficácia jurídica, da incompetência política, da falta de moral, da falta de ética e da selvageria do capitalismo.

A Corda
Esticada é uma estrada na qual é difícil se equilibrar
Em forma de Ó é uma forca pronta a te enforcar
Em três pares é um violão com uma melodia pronta a te ilusionar
Desfiada é a fertilidade pronta a procriar
Seus contornos são as entranhas das idas e vindas sem nunca se encontrar
Suas falhas são as indecisões do que deveria ser ou fazer
Seus pedaços formam chicotes a cortar a carne e sangrar
Na vertical é a subida sem apoio ao flutuar
Na horizontal é o obstáculo para tumultuar
Amarrada é o bote dado para não mais soltar
O mundo é a corda, a corda está morta, a vida torta está na porta. A porta se abriu, a vida porca saiu e mundo engoliu a porca da corda da vida torta que estava na porta.
A moça que abriu a porta já era torta, e viu a sociedade porca, não deu importância, porque estava morta
A morta da porca da sociedade torta se enforcou na corda porque sua vida é torta, mas deixou sementes porcas e tortas para assombrar essa vida morta que está atrás da porta
A porta esconde a vida torta do grupo hipócrita que se faz valer da ação porca para sustentar sua vida morta que sobe escadas tortas para chegar ao topo a abrir a porta e viver de forma porca sua riqueza torta em uma vida morta, olhando pela janela e achando que sua mente é esperta, usufruindo da parte que são das pessoas certas, mas que estavam de bocas abertas, no momento do bote das pessoas tortas, que tomaram tudo e foram viver suas vidas porcas
A nossa cidadania é torta, porque nossa ação para com ela é morta, em consequência vivemos e convivemos com a vida porca, até mudar nossa concepção para abrir a verdadeira porta que não tenha corda que amarre, que enforque, que impeça a vida viva das pessoas certas que poderão viver em uma nação mais correta e menos incerta.   

AGORA É LEI
Depois de muitas brigas, discussões e união de vários sindicatos e a federação do Estado do Rio de Janeiro, o dilema do mês de janeiro foi resolvido, ou seja, mais uma bandeira nossa foi conquistada férias integral em janeiro, agora não será possível quebrar o momento do professor estar com sua família e reatar os laços que a cada ano estavam nos tirando aos poucos. Aliás ao longo da história do profissional da educação é perceptível o sofrimento de perdas irreparáveis: autoridade, prestígio, liberdade de trabalho, tempo para família, lazer ( esse é que não se tem mesmo ), salários e ainda o pouco que havia era o mês de janeiro, período de férias também dos filhos, que já estava sendo suprimido. Muitas escolas estavam voltando ao trabalho, por exemplo dia 10 de janeiro e o professor que trabalha em várias escolas acabava ficando sem férias, pois cada uma voltava em um dia diferente, o que comprometia totalmente seu descanso. O que nós fizemos foi unificar o processo para que fosse resguardado à categoria o direito de estar com sua família, para que pelo menos isso eles não possam tirar da gente.

ESSA VITÓRIA FOI A LUTA DE TODOS OS SINPROS E A FEDERAÇÃO JUNTO A VOCÊ PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO.
Veja Parte do texto:
Agora é Lei: governador sanciona férias em janeiro!

(CALENDÁRIO UNIFICADO REDE PÚBLICA E PRIVADA)

10/01/2012

O governador sancionou a proposta de simultaneidade e integralidade das férias escolares em janeiro. A Lei 6.158 foi publicada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, de 10 de janeiro de 2012, na parte I, do Poder Executivo. Como começou a vigorar na data de sua publicação, a lei já está valendo para todo o Estado do Rio (art. 2º).

O Projeto de Lei nº 419/2011 foi proposto pelos deputados estaduais Robson Leite e Gilberto Palmares (ambos do PT) e pelo presidente da comissão de Educação da Alerj, Comte Bittencourt (PPS). No entanto, a luta é antiga. As férias em janeiro fazem parte da proposta de Calendário Unificado, que já havia sido apresentada na Câmara de Vereadores, pelo vereador Reimont (PT), e aprovada em Plenário; sendo, contudo, vetada pelo executivo municipal. Posteriormente apresentada na Alerj, pelos deputados estaduais Alessandro Molon, Gilberto Palmares e Comte Bittencourt, foi também aprovada em votação na Casa Legislativa, esbarrando no veto do governo estadual.

Ver a proposta das férias em janeiro tornar-se lei é uma vitória histórica da categoria. Um dos autores do projeto, o deputado Robson Leite lembrou que, desde que chegou à Alerj, viu o projeto vetado. “Tentamos derrubar o veto, com diálogo com o governo do estado, mas não conseguimos. Continuamos estabelecendo este diálogo, sob orientação e participação do Sinpro-Rio, através de seu presidente, Wanderley Quêdo, e iniciamos uma negociação”, afirmou o parlamentar, que comemora a conquista, salientando a importância da união dos trabalhadores. “Os professores e professoras são os grandes beneficiados. Não é uma conquista só do nosso mandato, mas principalmente daqueles que se mobilizaram e mostraram a força de uma categoria disposta para a luta”, finalizou.

Conheça a Lei 6.158/2012:

LEI Nº 6.158 DE 09 DE JANEIRO DE 2012 ACRESCENTA O INCISO XI AO ARTIGO 19 DA LEI Nº 4528, DE 28 DE MARÇO DE 2005, QUE ESTABELECE AS DIRETRIZES PARA A ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA DE ENSINO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, REGULAMENTANDO AS FÉRIAS ESCOLARES NO SISTEMA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO (EM TODO O ESTADO DO RIO DE JANEIRO).

O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Faço saber que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º - Acrescenta-se o inciso XI ao artigo 19 da Lei nº 4.528, de 28 de Março de 2005, que estabelece as diretrizes para a organização do Sistema de Ensino do Estado do Rio de Janeiro, que terá a seguinte redação:
“Art. 19 - ( … )
XI - a simultaneidade e a integralidade do mês de Janeiro, anualmente, para as férias escolares.
Parágrafo Único - O disposto no inciso XI do artigo 19 desta Lei poderá ser alterado quando houver interrupção ou suspensão por períodos longos das atividades escolares, que comprometam o cumprimento do calendário letivo.”
Art. 2º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Rio de Janeiro, 09 de janeiro de 2012

SÉRGIO CABRAL
Governador Projeto de Lei nº 419/2011
Autoria dos Deputados Comte Bittencourt, Gilberto Palmares e Robson Leite. 

Entardecer


Tardes, todos os dias elas aparecem, e nem sempre são notadas, são vistas apenas pelos toques de saída das fábricas, do dia a dia corrido, enervado, tenso ou até mesmo pavoroso que a ação humana tornou possível com o caminhar de sua evolução e sua ânsia pelo bem material.
Triste então ela se vai, caminhando para o próximo dia e o próximo entardecer, esperando a atenção do olhar humano, não como o fim de mais um expediente, mas sim como algo maravilhoso que a natureza pode oferecer, um espetáculo visto somente por aqueles que possui o dom da observação profunda das coisas que vão e vem.
A fumaça, a produção do homem, os automóveis, o anseio, as indústrias, o poder do dominador, o trabalho, a função do dominado e a dor são coisas que vão e vem, que envelhecem, que se perdem ou se repetem, mesmo sob uma forma diferente, pois o homem é mutável e por isso muda também sua maneira de agir em relação a tudo que o rodeia. E as tardes? Essas podem passar o tempo que elas continuarão aparecendo nas mesmas horas, esperando um admirador: o homem que quando passar a notá-la, nada mais se destruirá e ele também estará salvo da sua própria destruição, pois terá aprendido a valorizar as pequenas coisas, minuciosas que o circula.




GROSSERIA
A Grosseria do mundo é ter países inóspitos que alegam ser policiais do planeta interferindo em outras nações, causando danos irreversíveis. A Grosseria dos países é ter uma classe dirigente incapaz de resolver suas próprias crises pessoais, e ainda postulam-se, como os únicos com reais possibilidades de administrar uma nação inteira. A Grosseria da política é manter-se como uma filosofia, que por esse motivo, nunca teve uma prática, com resolução dos problemas humanos. A Grosseria do homem é ter medo de ser homem completo, inteligente, capaz de pensar e interagir, ficando somente como a soma de mais um na multidão. A Grosseria da vida é ser uma escola em que poucos têm acesso, e por isso, poucos são capazes de sobreviver. A Grosseria é uma brutalidade, e de tão bruta que é, nem os brutos conseguem vencer essa fronteira.



Utopia
Sua presença marca o caminhar da humanidade, alimentando as relações humanas com teor de sonhos e às vezes rusticidade. Acompanha o homem como se fosse sua própria sombra, construindo uma imagem que nunca existiu, mas sua sagacidade demonstra tudo parecer real.
O real da utopia é um sonho impossível de se realizar.
A imagem da utopia é uma ilha que tão bela, só pode ser fantasia.
O discurso da utopia é violência simbólica, que por não sangrar a matéria, que seria visível, ataca o interior e a alma, de maneira imperceptível, impedindo o seu crescimento e o risco do clamor de justiça.
O poder da utopia é um trono aberto, que de tão largo o seu diâmetro assemelha-se a um penhasco profundo que não parece ter fim.
A alma da utopia é aquela que sonha acreditando ter alcançado o caminho do paraíso, mas acorda depara-se com o purgatório.
O homem utópico é aquele que por ser prepotente, acredita estar no poder, que por fantasiar a realidade acredita ser intelectual, que por manipular a ingenuidade dos outros acredita ser esperto, que lesar de alguma forma os indefesos, acredita ter alcançado o caminho da astúcia e da inteligência, mas ao olhar para dentro de si, ou para o reflexo de um espelho, tem medo e teme, pois percebe que transformou a si mesmo em sua própria vítima, e a vida encarrega-se de terminar o serviço.
A paz utópica é aquela movida por passeatas, faixas e pedidos sensibilizados, implorando a volta do amor ao próximo, no entanto, por traz dos bastidores a corrida armamentista continua, buscando tecnologia e a confecção de novas armas mais possantes, com maior poder de fogo e morte, satisfazendo os interesses capitalistas e imperialistas.
Os governos utópicos são aqueles que têm por base desenvolver pequenos programas assistenciais, como os déspotas esclarecidos do século XVIII, em que suas ideias fundamentavam-se em adequar as exigências do momento e da sociedade aos seus interesses pessoais.
Prestar assistência não significa simplesmente servir, pois quando não se permite a mobilidade social para que o ser humano possa mudar sua condição de vida, os resultados no tocante a existência e a organização sistemática da sociedade, serão sempre insatisfatórios.
A juventude utópica, é aquela que acredita ser a beleza o único patamar de grandeza, mas o passar dos anos define que essa concepção é errônea, e somente o cérebro faz a diferença.
Enfim, UTOPIA é ilusão, enquanto não se construir a ideia de um mundo voltado para a verdadeira razão, o conhecimento e o desenvolvimento humano, não nos moldes em que foram estabelecidos defendendo os interesses do capitalismo e da burguesia, mas visando o interesse humano e coletivo, continuaremos em uma vida utópica como seres utópicos.

Palavra, Comunicação ou Perigo?
Desde a descoberta da escrita a 4000 a.C., que o homem passou a associar o Pensamento e a Fala ao que se escreve, ou seja, a escrita. Dessa forma, à medida que as sociedades foram se desenvolvendo, novas formas de organização também se levantaram alinhadas ao poder, que é na verdade um tipo de posição social que alguns alcançam em relação aos outros.
Nesse contexto, a palavra passou a ter uma importância ainda maior, pois ela e o poder passaram a caminhar juntos, e manter relacionamentos concisos, tais que à vontade de um se realiza na vitória do outro, ou seja, da mesma forma que a palavra tem um grande valor nas relações humanas, por caracterizar-se como um forte avanço na comunicação, ela também pode ser um perigo, para aqueles que a não domina. Dominar a palavra é ter o dom do saber, e ter o dom do saber é garantir o domínio de uma minoria letrada sobre uma maioria não letrada.
Esse fato, não é característico, apenas em um período da humanidade, vem caminhando ao lado da evolução, de forma a afetar o comportamento (etiquetas), o falar e o escrever (normas cultas da língua), maneira de distinguir socialmente um ser humano do outro. Na Idade Moderna, por exemplo, quando os reis formavam seus fortes Estados, a nobreza cortesã que já procurava se diferenciar dos mais simples (humildes), achou necessário criar formas, regras de etiquetas, onde o ponto inicial seria vestir-se bem, depois determinar detalhadas normas de organização humana, posição à mesa, higiene pessoal, formas adequadas de alimentar, usar lenços, além da noção de honra que identificava o homem educado, propício a gentileza, o fino trato e a cortesia. A própria palavra cortesia, vem de corte, local onde os nobres, ricos e poderosos moravam, os grandes palácios.
Não tão diferente dos tempos mais remotos, vivemos hoje presos aos mesmos estereótipos dos palácios, do culto e o não culto, onde o Brasil mesmo após a Proclamação da República em 1889, os núcleos urbanos que se formavam, buscando um ideal de desenvolvimento igual ao modelo europeu, viam o homem do campo (núcleos rurais), como matuto, atrasado e sem cultura, impregnando o país a um preconceito regional, que se arrasta até os dias atuais, em que o Nordeste, principalmente, é visto como uma coisa só, sem divisão, e o Paraíba crucificado por todos, como o próprio Jeca Tatu, personagem criado por Monteiro Lobato no romance Urupês e encenado por Mazzaropi, que apesar de referenciar o trabalhador rural paulista do Vale do Paraíba, serve como base para a forma como as pessoas do interior são vistas: preguiçosas e atrasadas em relação às pessoas e os valores da cidade, principalmente no vestir, falar, escrever e nas regras de comportamento. Seria sensato agora verificarmos essa visão e analisarmos o poder da palavra para não cometermos injustiças. A nossa própria Língua Portuguesa promove um monte de regras e é cheia de exceções; gramáticos e linguistas não se entendem; cobra-se norma culta sem levar a todos a educação; as residências dos principais políticos da nação são verdadeiros palácios; os currículos escolares são baseados na cultura dominante, justamente porque se sabe que a criança que não tem o convívio diário com esse tipo de cultura não irá conseguir acompanhar esse ritmo na escola, e a mesma será apenas uma passagem em sua vida; muitas instituições de atendimento ao público não funcionam e foram criadas para não funcionar mesmo; cria-se dificuldade para se vender facilidade; pessoas lutam e outras prometem saneamento básico, sem antes conhecer o “saneamento moral”. Como Julgar o outro sem antes fazer um julgamento do próprio eu? O que é ser culto e ser matuto? Será que ser culto é somente falar e escrever bem, cobrar sem dar subsídios necessários para que o outro possa ter mobilidade social, onde fica a moral e a ética? Isso tudo não seria apenas os verdadeiros porões da ignorância culta? E o matuto? Será que plantar, colher, construir arduamente, para levar aos “pseudo-s cultos” a alimentação e a moradia, é ser atrasado e preguiçoso?
Fica a todos um momento de reflexão e análise na esperança de revermos nossos conceitos, padrões e valores sociais no tocante a convivência humana.

O Consumismo, Perigo ou Ser Moderno?


Uma guerra sem fim, que consome o ser humano, que sonha em consumir, que corre atrás do dinheiro, que rasteja como se estivesse numa trincheira da guerra das horas extras, que levanta antes do sol nascer e chega a casa depois do sol se pôr. Tudo para consumir e ser consumido, sem perceber, numa guerra que continua em proporções sem precedentes, com armas cada vez mais sofisticadas e tecnológicas, onde ao invés dos canhões, os celulares, ao invés dos navios, o televisor, ao invés dos aviões, as geladeiras, ao invés dos submarinos, os fogões, ao invés dos fuzis, as roupas da moda, ao invés das bandeiras brancas, do pedido de paz e o cessar fogo, vem as faixas de propaganda, os torpedos e os comerciais incentivando a guerra, animando os soldados do consumo, dando-os mais armas, agora estratégicas: os carnês, os cartões de créditos, os cheques pré-datados e os empréstimos. E quando os soldados do consumo vão à frente no campo de batalha se desgastando e gastando o que pode e o que não pode num otimismo ilusório, acreditando na conquista da vitória com o propósito de cumprir sua missão: CONSUMIR, vão sendo consumidos, pois já estão cansados, enfraquecidos do combate e doentes com o vírus da dívida e pedem reforços, mas seus comandantes os abandonam e ainda retiram suas armas: os carnês, os cartões de créditos, os cheques pré-datados e os empréstimos, deixando-os morrer na guerra ( os suicídios ) ou serem capturados e presos nas cadeias dos sistemas de proteção ao crédito, com o sonho de consumir e o arrependimento de terem entrado num terreno de capitalistas selvagens. E a guerra? Essa continua, procurando sangue novo, missionários consumistas para serem consumidos, seres inocentes de um mundo sem perdão. É assim que caminha a humanidade consumindo, cultuando o corpo, andando na moda, degradando o planeta, sem discutir de forma profunda e realista os problemas que a Terra enfrenta, tais como: o aumento populacional no mundo, o aumento da demanda produtiva, as limitações e capacidades do planeta no tocante a exploração e o uso dos recursos naturais. Na verdade vêm primeiro os interesses pessoais das grandes corporações e das nações desenvolvidas para depois se mencionar a vida do planeta. Só se fala em desenvolvimento e progresso, com mais indústrias produzindo e o povo consumindo e em mais corporações e menos Estado, ou seja, é o Estado Mínimo que pensa em investir pouco e arrecadar mais.
É Hora de Pensar! Será que a RIO+20 obteve um resultado verdadeiro para um futuro promissor e responsável? Ou será que foi apenas MARQUETING para o Rio de Janeiro e o Brasil lá fora, na busca de incentivo ao turismo, visto que teremos eventos importantes aqui em nosso território? É bem intrigante a situação, pois a Europa está preocupada com sua crise, muitos países como a Espanha estão quebrados e com altos índices de desemprego, tem até espanhóis vindo para o Brasil à procura de emprego, os Estados Unidos estão preocupados com suas eleições e os resquícios de sua crise do pós-guerra com o Iraque, ou seja, os principais poluidores do mundo estão mais atentos aos seus problemas internos políticos e econômicos do que com o meio ambiente.

É, esperamos que essa Rio+20 não tenha sido mais um de tanto outros acordos, congressos e conferências fracassadas ou pela metade, inoperantes com gastos exorbitantes e um caminhar da humanidade a passos largos para trás em cima de um problema tão sério e que afeta a todos.

Texto: Profº Luciano da Silva / Pós-Graduado em História Social do Brasil / Secretário de Educação e Cultura do Sinpro-Baixada



Congresso da FETEERJ Reúne Diversas Entidades Sindicais
O Sindicato dos Professores da Baixada Fluminense (Sinpro-Baixada) com base territorial nos municípios de Japerí, Nilópolis, Mesquita (Sede), Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Queimados, Magé e Guapimirim representou sua região no 10º Congresso organizado pela FETEERJ e realizado no Hotel Arcozelo em Paty dos Alferes nos dias 30, 31 de março e 1º de abril, onde se apresentou a nova diretoria da Federação, como também se discutiu diversos assuntos relacionados a educação dos dias atuais. 
Alguns pontos de destaques do evento foram a homenagem feita a professora Maria Yeda Linhares, em função da ampla contribuição histórico-cultural que desenvolveu no Brasil; a questão da educação a distância que vem se assolando em nosso território sem uma regulamentação muito clara, pondo em perigo o emprego da categoria e a qualidade do ensino; as condições de trabalho e salários dos profissionais da educação sempre postos em ultimo plano na estrutura político-econômico e social do Brasil; a conjuntura nacional e internacional do pós-globalização que afetou a educação como um todo, inclusive o processo ensino-aprendizagem; os movimentos sindicais e os trabalhadores; o piso e a carreira do magistério; e a escola brasileira: estrutura, espaço, organização e finalidade dentro do contexto: A Escola que temos e a Escola que queremos. 
O congresso contou com a participação de aproximadamente 600 pessoas que representaram suas regiões, seus sindicatos e a cartegoria, expondo as dificuldades e os principais problemas que enfrentam no dia a dia de sua localidade. 
Assim como o Sinpro-Baixada que enviou sua delegação (foto ao lado) composta pelo professor Eduardo Monteiro dos Santos (presidente); Professor Luciano da Silva (secretário de Educação e Cultura); Professor André Gustavo (Diretor); Professor Rodrigo Barreto de Barros ( Diretor); Professor Gilberto Pereira Lins Filho (Diretor); professor Nivaldo Pinto Ferreira (Tesoureiro); Professora Eliane Freire de Castro Azevedo (Secretaria de Imprensa e Relações Sindicais); Professora Susana Maria Rubes Costa (Associada); Professora Roberta Lobo (Associada), outros Sinpros também fizeram, tais como: O Rio; O Costa Verde; O Niterói; O Norte Noroeste; O Nova Friburgo; O Macaé; O Lagos ; O Petrópolis e Campos, além dos representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Nos debates de mesa os representantes sindicais deixaram claro a preocupação com os altos custos de eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas, enquanto, para educação reserva-se os míseros 3,18% no orçamento da união. Destacaram também o problema da reforma agrária e urbana; da importância ao combate a todo tipo de discriminação; da juventude atual, suas expectativas e oportunidades; do Rio+20, seus temas e discussões; dos novos sistemas que se formam nas parcerias público-privada; do Plano Nacional da Educação (PNE); do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE); do currículo nas escolas brasileiras; da mercantilização da educação, entre outros. Na verdade ficou latente que os problemas são muito sérios e precisam ser resolvidos, a partir de uma mobilização social e conscientização da sociedade, mesmo sabendo-se da dificuldade em função das situações que apesar de serem reais estão postas de forma oculta e acabam deslizando por entre o conjunto social de maneira não muito perceptível, principalmente para as camadas menos favorecidas da sociedade.