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terça-feira, 5 de julho de 2016

Aplicativo coletivo irá mapear tiroteios no Rio de Janeiro

A Anistia Internacional criou um aplicativo chamado “Fogo Cruzado”, lançado esta terça-feira (05), para mapear o uso de armas de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro. A cidade, sede dos Jogos Olímpicos de 2016, sofre há muito tempo com violência, especialmente da violência armada, que deixa milhares de vítimas fatais a cada ano. O aplicativo visa a segurança dos moradores, principalmente os das áreas mais atingidas por confrontos entre policiais e traficantes, e também na denúncia do alto índice de conflitos armados. 
A ideia de criar um aplicativo surgiu no ano passado, quando pesquisas autônomas tentaram contabilizar os tiroteios na capital carioca por meio de informações disponíveis na imprensa, boletins policiais e redes sociais. Um levantamento feito pelo jornal Vozes da Comunidade apontou que, no Complexo de favelas do Alemão, na Zona Norte da cidade, houve 100 dias seguidos de tiroteios em 2015. 
Atila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil, afirma que a Zona Norte da cidade e a Baixada Fluminense são as áreas que apresentam uma maior incidência de homicídios. “Essa violência armada, além de mortos e feridos, gera fortes impactos na rotina dos cidadãos como a suspensão de aulas em escolas, fechamento de postos de saúde e bloqueio de vias públicas, geralmente pouco retratados nos debates sobre o problema", afirma. 
Ação para entender melhor os impactos dos tiroteios no dia-a-dia do morador

O diretor da Anistia Internacional no Brasil ressalta que o dispositivo não pretende lidar com denúncias de casos específicos como homicídios decorrentes de intervenção policial. “Com base nos dados gerados pelo aplicativo, vamos solicitar informações complementares às autoridades para melhor compreender os impactos dos tiroteios em aspectos como o fechamento de escolas e consequente suspensão de aulas, número de vítimas fatais (civis e agentes de segurança pública), feridos, fechamento de vias de trânsito, entre outros. As análises e respostas serão divulgadas periodicamente no site do aplicativo, dando uma ideia do preço da violência cotidiana em nossa cidade", completa. 
Para Cecília Olliveira, pesquisadora e gestora de dados do “Fogo Cruzado”, o aplicativo “é uma ferramenta para que a população mais afetada pela lógica da guerra mostre, de forma segura, todas as vezes em que é colocada no meio do ‘Fogo Cruzado’. Com as informações adicionais solicitadas poderemos ter uma noção mais específica do custo social dessa violência para as pessoas e para a cidade”, conclui. 
Olliveira ainda afirma que “o objetivo desta nova iniciativa é ter uma 'fotografia', um mapa colaborativo da violência armada na cidade que sirva de fonte para uma ampla discussão sobre violência armada e suas consequências no cotidiano da cidade".