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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Documentário sobre educadora que revolucionou a escola tradicional tem pré-lançamento em festival em Caxias

O diretor Rodrigo Dutra com uma fotografia de Armanda, 
na escola criada pela educadora Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo
Restrita ao meio universitário, sobretudo aos cursos de Pedagogia, a história de Armanda Álvaro Alberto, educadora que nos anos 20 revolucionou a escola brasileira, vai poder ser conhecida, a partir de quarta-feira, fora do ambiente acadêmico. O documentário “Armanda” será lançado no encerramento da 3ª edição do Festival Mate Com Angu de Cinema Popular em Duque de Caxias.
O projeto surgiu dentro da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF/Uerj), em uma parceria do Núcleo de Estudos Visuais em Periferias Urbanas (NuVISU) da instituição com a Dunas Filmes.
Cenas do documentário “Armanda”.
O filme terá pré--lançamento nesta quarta Foto: Divulgação
— O filme tem a tarefa de transcender o meio acadêmico. Quando a gente pensou o roteiro, imaginou falar dessas questões pouco conhecidas. Ela fundou a União Feminina do Brasil, ficou presa na mesma cela que Nise da Silveira e Olga Benário — ressalta o diretor Rodrigo Dutra.
O filme, que começou a ser gravado em 2014, contou com alunos das oficinas de audiovisual da FEBF na equipe técnica. A atriz Davila Pontes interpretou a protagonista, já que não foram encontradas imagens de Armanda em movimento.
Apesar de ser um documentário biográfico, o filme fala de questões atuais para Duque de Caxias, explica Dutra:
— O filme faz essa relação entre passado e presente. O shopping que tentaram construir na área próxima à Escola Dr. Álvaro Alberto (fundada por Armanda em 1921), por exemplo. A gente documenta a luta da sociedade civil contra o shopping, não fica só no passado.
Para a diretora da unidade de ensino, Iracema Medeiros da Costa, um filme sobre a fundadora é motivo de orgulho:
— Fui diretora aqui por 18 anos e volto agora, depois de seis. Dá muito orgulho ver esse filme porque as pessoas não dão à escola a importância que ela tem.
Trajetória de luta
Filha do médico-sanitarista Álvaro Alberto e integrante da elite carioca intelectual da época, Armanda Álvaro Alberto começou a carreira como professora em 1917. Dois anos depois, acompanhou o irmão, militar da Marinha, a Angra dos Reis, onde começou a lecionar para filhos de pescadores, suprindo a falta de escolas no lugar. Aos 9 anos, foi aluna da italiana Maria Montessori, cujas técnicas revolucionárias implantou no Brasil.
Armanda começou a atuar na Baixada, na Vila Meriti — onde hoje é o Centro de Caxias —, que na época ainda era em Nova Iguaçu, porque o irmão foi trabalhar em fábrica de explosivos e ela dava aula para os filhos de funcionários. Em 1921, criou a Escola Proletária de Meriti, que passou a ser conhecida como Escola Mate com Angu, por ter sido a primeira da América do Sul a servir refeição aos alunos. Hoje, a unidade se chama Escola Municipal Dr. Álvaro Alberto.
Nos anos 30, participou da criação da União Feminista do Brasil. Foi perseguida e presa com outras mulheres acusadas de comunismo e participação na Intentona Comunista, em 1935.
O filme, que também tem direção de Liliane Leroux e Flávio Machado, será lançado às 20h na Lira de Ouro, que fica na Rua José Veríssimo 72, no Centro de Caxias.

Acervo de Armanda no museu da Escola Dr. Álvaro Alberto, em Caxias Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

https://extra.globo.com/noticias/rio/documentario-sobre-educadora-que-revolucionou-escola-tradicional-tem-pre-lancamento-em-festival-em-caxias-21406513.html