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Edição de Maio / 2018

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

PAPAI NOEL E A ESPERANÇA

PAPAI  NOEL  E  A  ESPERANÇA

Um dia véspera de Natal eu desembarcava em Itirapina;uma menina regulando uns oito anos, de longe, vendo-me, julgou que eu era Papai Noel, por ser velho e ter barbas brancas e compridas: vem correndo ao meu encontro; as perninhas marcadas no vestidinho e a cabeleira a adejar, alegre, contente, porque estava vendo Papai Noel a quem ia pedir um presente.
Chegada que foi, cansada da carreira, me diz: o senhor é que é o Papai Noel? Não querendo enganar a criança, disse-lhe: filhinha, eu não sou Papai Noel: Papai Noel não existe.
Ao dizer esta verdade, aquele rostinho cheio de esperança e risonho como uma manhã de primavera, torna-se sombrio e triste: continuei dizendo-lhe que o Papai Noel, é o papai das meninas e meninos obedientes e estudiosos, quem compra os brinquedos e de noite os põe nos sapatinhos.
Então a criança ficou triste e quase a chorar, disse: então este ano não tenho brinquedo: abrindo as mãozinhas e estendendo os bracinhos.
Porque, perguntei: ergueu a cabecinha em atitude de desespero se revolta e diz: papai está desempregado e sem dinheiro!
Para acalmar a dor que ia na alma daquela criança, disse-lhe e se eu fosse Papai Noel o que é que você queria?
Olhou-me cheia de dúvida e fixando-me, disse: se o senhor fosse o Papai Noel, eu queria era uma bolsinha assim, e mostra com a mãozinha o tamanho da bolsinha; dei-lhe o dinheiro para comprar a bolsinha tão desejada.
Ela toma o dinheiro, olha para mim e apontando-me com o dedinho, radiante e contente diz: - o senhor é que é o Papai Noel, saiu correndo e meia hora depois mais de cinqüenta crianças, queriam ver Papai Noel.
Nesta criança, temos uma lição enorme de muita importância: julgando que eu era Papai Noel, vinha cheia de esperança, que perde ao saber a verdade, e com a perda da esperança , veio o desalento, a tristeza, a revolta, a dor.
Disto concluímos que, destruir uma esperança, é um crime embora seja com uma verdade. A destruição de uma esperança leva uma criatura a todos os desvarios; destrói-lhe a energia, a coragem, as idéias deixando-a em uma apatia onde nada vê, nada compreende, sem orientação deixa-se levar pelo acaso; outras vezes, produz a revolta o desespero, em que todas as energias se reúnem para consumar uma vingança, levar a cabo um suicídio e outras tragédias da vida. Falando a verdade fui destruir uma esperança que só com outra esperança pude reabilitar; aprendendo que quando a esperança volta, não vem tão grandiosa como no princípio; vem como uma mistura de dúvida e desengano, que só termina quando o objeto da esperança se concretiza. Daí a lição; nunca devemos destruir uma esperança nem mesmo com uma verdade, e ainda outra lição não menos grandiosa, é que a verdade, apesar de ser verdade, nem sempre se deve dizer, sendo necessário esperar ocasião oportuna para a dizer sem que ela vá destruir uma esperança e possa produzir aos seus efeitos.
Justo motivo tinha o Mestre quando ensinou: sede simples com as pombas, mas prudentes com as serpentes.
 Autor e Local da Publicação Não Anotados

Papai Noel