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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Mulher morre após 13 dias de peregrinação por hospitais no Rio


A saúde é um direito do cidadão. Está na Constituição. Mas, no Rio de Janeiro, uma mulher de 49 anos morreu depois de peregrinar de hospital em hospital, em busca de atendimento. Nem uma decisão judicial ajudou a salvá-la.
Tristeza, revolta. Parentes mal conseguem acreditar que há duas semanas Solange Maria Dias Alves de Souza estava aparentemente com saúde. Nos últimos momentos de vida, a pensionista ficou irreconhecível.
“Era muita dor que ela reclamava, ela pedia ajuda, para levantar ela, mas não respondia. O rosto dela todo torto, um olho fechado e outro aberto”, conta a irmã, Maria Silvania.
Foram 13 dias de peregrinação por unidades de saúde em busca de atendimento adequado. A família reclama que houve descaso.
“Nenhum hospital da rede pública tinha vaga para a minha mãe”, lamenta a filha da vítima, Cintia Alves de Souza.
Solange começou a sentir fortes dores de cabeça no dia 5 de julho. Na Unidade de Pronto Atendimento de São João de Meriti, o diagnóstico foi sinusite. Quatro dias depois, ainda com muitas dores na região da nuca e já sem reconhecer as pessoas, procurou atendimento na unidade de Sarapuí, também na Baixada Fluminense.
No dia seguinte, a paciente buscou assistência no Hospital Moacir do Carmo, no município vizinho de Duque de Caxias. Segundo a família, com o exame de sangue normal e sem vagas, Solange foi liberada.
No sábado, 14 de julho, nove dias depois de começar a passar mal, Solange voltou à unidade onde recebeu o primeiro atendimento. Dessa vez, médicos suspeitaram que ela poderia ter tido um AVC - Acidente Vascular Cerebral - ou meningite. Solange passou a noite na unidade, isolada.
No domingo, a família, desesperada, recorreu à justiça. E conseguiu um mandado de segurança que determinava a internação em qualquer hospital da rede pública ou particular.
Mesmo com a decisão, os parentes de Solange só conseguiram a transferência depois de procurar a Secretaria Estadual de Saúde, que informou sobre uma vaga no Instituto São Sebastião no Iaserj, que está sendo desativado.
Mas, segundo a família, a demora foi tanta que Solange não resistiu a três paradas cardíacas e morreu no início da noite.
“As pessoas omitem o socorro, não ajudam, e está aí o que aconteceu. Eu fico perguntando quanto vale uma vida”, lamenta Cláudio Luiz Alves de Souza, filho da vítima.
A Secretaria de Saúde de São João de Meriti informou que Solange morreu de acidente vascular encefálico e que não tinha quadro de sinusite e nem de meningite.
Já a Secretaria Estadual de Saúde disse que a paciente foi diagnosticada com sinusite na Unidade de Pronto Atendimento de Sarapuí. Ela foi medicada e liberada depois que apresentou melhora, com a prescrição de um antibiótico.
A Secretaria de Saúde de Duque de Caxias não retornou as ligações da nossa produção.