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sábado, 17 de outubro de 2015

Jovens abusam de maconha e álcool

JC Net
Uso abusivo das duas substâncias, associadas ou não, levou a maioria dos 427 pacientes atendidos em um ano a procurar ajuda no Caps AD.
O uso abusivo de álcool ou de maconha ou, ainda, das duas substâncias associadas é o que mais tem levado crianças e adolescentes de Bauru a procurarem ajuda no Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Outras Drogas 24h (Caps AD-3), que completa um ano de atividades no próximo dia 25. Ao longo deste período, foram 427 jovens atendidos, 70% deles pertencentes ao sexo masculino e, quase sempre, afetados por relações familiares desajustadas.
A criação do Caps AD-3 atendeu a dois compromissos assumidos pelo município, um deles no momento da adesão ao Programa Interministerial Crack é Possível Vencer e outro com a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público Estadual (MPE) de Bauru. Até então, o atendimento a crianças e adolescentes usuários de substâncias psicoativas era realizado no Caps AD, hoje voltado especificamente para o tratamento de adultos com mais de 18 anos.
Mantida integralmente pela prefeitura, a unidade conta com 25 funcionários e está em fase de credenciamento para receber recursos do governo federal. Ela foi instituída em 25 de setembro do ano passado para atender pacientes entre 8 e 18 anos, inclusive com a possibilidade de mantê-los acolhidos por curtos períodos de tempo - até 14 dias em cada mês. São seis vagas disponíveis para esta finalidade.
Segundo a assistente social Josiane Fernandes Lozigia Carrapato, coordenadora do centro, o objetivo maior do serviço é convencer - e não forçar - o jovem a abandonar o vício, estimulando-o a construir um projeto de vida e mostrando que existem opções de lazer além das drogas.
Para tanto, diversas parcerias foram firmadas com pessoas físicas e jurídicas da cidade, que oferecem gratuitamente oficinas, como de rap e kickboxing, de que os jovens participam fora do centro. “Também os levamos para atividades no Sesc e realizamos outras atividades dentro do Caps, como oficinas de confecção de panos de prato, culinária, entre outros”, acrescenta Josiane. Os resultados, segundo ela, têm sido animadores.

Redução de danos

Para a presidente do Conselho Tutelar 2, Ieda Maria de Souza, alguns casos de reincidência continuam acontecendo, mas a maneira inovadora com que o novo Caps vem atuando tende a promover mudanças significativas nas estatísticas, em médio e longo prazos.
“É preciso considerar que o serviço ainda é muito novo na cidade. Mas este modelo, com uma equipe multifuncional trabalhando com uma abordagem específica, certamente foi um grande ganho para Bauru”, pontua ela, destacando que a maior parte dos adolescentes chega ao centro por meio do Conselho Tutelar, procurado pela escola ou pelos pais, quase sempre apenas desconfiados das mudanças de comportamento de seus filhos.
Josiane alerta, contudo, que os casos de dependência severa de álcool e drogas são exceção dentro do Caps, já que a esmagadora maioria dos jovens é encaminhada para tratamento por uso ou uso abusivo de substâncias psicoativas, associado a problemas psicossociais, como desajustes no relacionamento familiar ou o fato de estarem fora da escola. Nestes casos, o centro segue uma política de redução de danos, com oferta de atendimento multidisciplinar, mas sem proibir o usuário de consumir drogas.
“Ele, como ser humano, vai ser sempre livre para fazer suas escolhas. O importante é fazê-lo pensar. Aos poucos, vamos mostrando o prazer que a droga dá de imediato e o desprazer que proporciona depois, além de oferecer outras opções de lazer e demonstrar a importância de retomar a rotina escolar e os vínculos com a família”, detalha.

Aliciamento para o tráfico

O consumo de drogas traz uma preocupação extra porque, muitas vezes, o adolescente usuário, na tentativa de “ocupar um lugar na sociedade”, pode se deixar aliciar pelo tráfico. Segundo a coordenadora do Caps AD-3, Josiane Fernandes Lozigia Carrapato, trata-se de uma forma que o jovem encontra de ser “cidadão” ao conquistar algum poder, status e uma ocupação que o remunere.
Por este motivo, o suporte familiar que deve ser oferecido para afastá-lo do mundo das drogas se torna ainda mais importante. De acordo com Josiane, os adolescentes se rendem ao vício para fugir de problemas, encontrar prazer existencial e ser reconhecido como ser humano.
Como estão em fase de transformação corporal e psíquica, podem ter dificuldades para enfrentar esta transição entre a experiência vivida na infância e a expectativa das responsabilidades a serem assumidas na vida adulta. “Neste momento, eles precisam dos pais para ajudá-los a construir esta nova identidade. Quando os pais não conseguem compreender esta necessidade afetiva, emocional e cognitiva dos filhos, os problemas começam a aparecer e é quando eles podem recorrer às drogas”, analisa.
Além da ausência de vínculos familiares, segundo Josiane, falta de equipamentos de lazer, ausência de políticas públicas eficientes e dificuldades de inserção escolar e no mercado de trabalho também podem contribuir para que os jovens se entreguem às drogas.

Usuária com 10 anos

O paciente mais novo que o Caps AD-3 já recebeu neste um ano de atividades foi uma menina de apenas 10 anos de idade. Segundo Josiane, como a grande maioria dos casos, a criança tinha problemas de relacionamento familiar e fez uso de maconha e álcool para chamar a atenção.
“Ela havia sido acolhida em um abrigo e já recebeu alta do Caps, porque o problema era mais de autoestima mesmo. Agora, ela é acompanhada por um outro serviço da rede”, resume. Na maioria dos casos, contudo, os pacientes possuem 17 anos, em média, embora o início do consumo de drogas tenha ocorrido antes.



Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)