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domingo, 6 de dezembro de 2015

Liberação da maconha no Uruguai não acabou com o tráfico

Quando o Parlamento do Uruguai aprovou, no dia 10 de dezembro de 2013, a lei 19.172 - que deu ao governo o controle sobre produção, consumo e distribuição de maconha, o objetivo era derrubar tráfico de drogas, por intermédio de uma política de mercado. A ideia da liberação foi do então presidente Pepe Mujica. O texto entrou em vigor em 6 de maio de de 2014 e lá para cá o resultado não foi exatamente o programado.

Dados oficiais do Instituto Técnico Forense (ITF), onde chegam as drogas apreendidas por ordem judicial, apontam que a policia duplicou o recolhimento de plantas de maconha em cultivos ilegais. Ao mesmo tempo em que continuou a entrada livre de maconha vinda do Paraguai, aumentou o consumo de pasta base de cocaína – que o mesmo Mujica acreditava que cairia com a liberação da maconha.

No Brasil, o deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS) que acompanhou o processo de legalização da droga no Uruguai, comentou:

- O mesmo ITF constatou um crescimento no consumo de cocaína e extasis. É a prova que a liberação da maconha fracassou, não deu o resultado esperado. É bom lembrar que durante a campanha eleitoral, seu sucessor, Tabaré Vazquez, da mesma Frente Ampla, disse ser contra a liberação, mas que seria obrigado a cumprir a lei aprovada no Parlamento.

Vazquez tenta segurar a venda livre de maconha nas farmácias – a associação dos químicos-farmacêuticos já se manifestou contra o negócio - e controla de perto os clubes de plantação e consumo da erva. Autoridades ainda debatem a regulamentação da lei, como controlar o tráfico – que não parou e cresceu -, como evitar seu uso no ambiente de trabalho.

Osmar Terra apontou dados preocupantes:

- Em 2013, a polícia uruguaia apreendeu 261pés de maconha, em 2014, foram 621; e nos primeiros dez meses de 2015, 1.058. Isto prova que, mesmo com a legalização do plantio, a plantação ilegal cresceu muito.

Na esteira da liberação da maconha, o êxtasis ganha espaço. Se em 2014, a polícia recolheu 140 comprimidos (40 gramas), de janeiro a outubro de 2015 foram 17 quilos – uma verdadeira invasão da droga.

A questão da maconha liberada não está resolvida no Uruguai. Há grandes resistências, até mesmo no governo eleito pela Frente Ampla:

- Já se sabia que o presidente eleito Tabaré Vázquez é contra a lei. A novidade é que seu irmão Jorge, subsecretario do Ministério do Interior que lidera a luta contra o crime organizado também desaprova a lei. Durante entrevista à TV Ciudad, de Montevidéu, revelou ter ido contra a regulação, mas teve que aceitar o resultado.

Fonte:UNIAD - Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas