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terça-feira, 14 de julho de 2015

Huayrãn Ribeiro / Tem Bil e gosto pra tudo

Eu conheço um camarada que tem tudo para dar certo na vida: inteligente de boa família, formado em administração, atualizado, sempre bem informado, um sujeito boa pinta de bom gosto, etc. Tem um pequeno problema, a bebida. De dia um doce. De noite, vira o cão chupando limão. O sujeito é a personificação do porre. Ninguém é capaz de prever como ele vai se portar numa festa, por exemplo, se vai ser gentil ou se vai promover aquele tumulto e acabar com a festa e/ou preso.
Até aqui nada de mais: um cara que bebe e vira um chato isso não é novidade para ninguém. Só que o nosso personagem tem um diferencial. Quando você ameaça sair fora, ele se ajoelha e jura por Deus que vai largar a bebida. Eu sei que isso também não é novidade. Acontece que o nosso personagem (vamos chamá-lo de Bil), sempre depois de um porre realmente faz de tudo para não beber mais e sempre está decidido a mudar de vida. Eu testemunhei uma passagem na vida do Bil que contando parece mentira. Foi quando depois que ele tomou um bom chá de sumiço (sem álcool) e ninguém sabia nada dele.
Eu estava no Parque Paulista em Duque de Caxias (eu troco o nome, mas não troco o bairro da vítima) providenciando alguma coisa para o jornal quando eu vi do outro lado da rua um cara que pulava, acenava e gritava o meu nome. Quem era? O Bil. Ele atravessou a pista veio ao meu encontro nos abraçamos, e blá, blá, blá. Notei que ele estava sóbrio e com uma aparência pra lá de diferente. Esperei para que ele me contasse as novidades e ele começou:
- Larguei a bebida e agora eu sou outra pessoa. Estou tendo um pouco de dificuldades para me adaptar, mas eu não desisto.
Eu queria saber se ele estava namorando ou se tinha casado ou alguma coisa assim quando ele respondeu:
- Eu conheci uma moça, mas não deu certo porque ela era bonitinha demais. Tinha os traços todos perfeitinhos e seios maravilhosos. Ela sempre vestia uma camiseta quase justa, calça jeans e botinha. Ela é o sonho de consumo de qualquer adolescente e de alguns coroas também, mas não deu certo.
Claro que eu fiquei curioso e perguntei por que não deu certo? Do jeito que ele a descreveu era um avião!
- Um avião com certeza, falou Bil, mas muito diferente da pessoa que eu estava precisando encontrar. Totalmente ao contrário. Se eu quisesse conversar sobre a nossa relação ou falar sobre o meu novo emprego ela saia correndo na hora. Casamento? Filhos? Jamais, em tempo algum. Eu não podia nem pronunciar tais palavras. Filme de arte? Eu podia esquecer! A mulher é chique. Sua segunda casa é em Nova York. No reveillon ela fica entre Nova York e Paris. Segue uma dieta super-balanceada, toma pílulas pra não envelhecer. É aquela mulher que você vê correndo, toda saudável, quando o dia nem amanheceu direito.
Eu cá com os meus botões: tem alguma coisa estranha nisso que eu ainda não consegui detectar. O Bil prosseguiu dizendo:
- Eu preciso de uma mulher que me complete, todo homem anda a procura de uma mulher que o complete.
Eu queria saber que tipo de mulher o completaria, só por curiosidade, o Bil respondeu:
- Eu quero uma mulher tipo chicletão, que goste de ficar ali grudada, que não consiga ficar sozinha um minuto. Eu quero uma mulher do tipo que seria capaz de se apaixonar pela voz da máquina de recolher bilhete no estacionamento do shopping. Eu quero uma mulher do tipo que fique desconsolada a partir do momento que abre a sua caixa de e-mail e não encontra nenhuma mensagem. Esse é o tipo de mulher que me completaria.
Olhei bem para o Bil para me certificar se ele estava realmente sóbrio, sim porque depois dessa eu fiquei na dúvida. Foi aí que eu comecei a entender o que ele queria dizer quando me falou que estava com dificuldades para se adaptar a sua nova vida. Eu juro que me deu vontade de convidar o Bil para beber alguma coisa, mas resolvi deixar pra lá.