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sábado, 11 de julho de 2015

Huayrãn Ribeiro / Ah, como eu sou vaidoso!

Ah, como eu sou vaidoso!
Preciso aprender a me conhecer e não me julgar indispensável. Insubstituível apenas Deus. Abomino essa minha incrível capacidade de misturar algumas doses de heresias e blasfêmias e transformar o sagrado em profano, o simples em vulgar e banalizar o que deveria ser divinizado. Preciso aprender a viver os belos momentos de minha vida, aproveitar cada minuto de alegria, sem pressa de novamente mergulhar a minha mente na agitação de um sistema louco e inconseqüente.
Se eu não fosse tão vaidoso saberia contemplar as paisagens por onde passo, as estrelas que me cobrem, apreciaria os caprichos da natureza e colheria em todos os canteiros as flores e os frutos.
Se eu não fosse tão vaidoso talvez me interessasse mais pelas crianças. Cuidaria delas com amor e não com indiferença. Por falta de carinho nos lares é que os cárceres estão cheios. O criminoso mais cruel foi um dia uma criança pura e inocente como todas as outras.
Ah, como eu sou vaidoso!
Jamais dou uma esmola sem anunciar a todos. A minha mão esquerda é sempre a primeira, a saber, o que a direita vai fazer. Minha vaidade não me permite ajudar sem fazer alarde. Abomino essa minha incrível capacidade de misturar algumas doses de heresias e blasfêmias e transformar o sagrado em profano, o simples em vulgar e banalizar o que deveria ser divinizado. Insubstituível apenas Deus. Preciso aprender a me conhecer e não me julgar indispensável.